
NOTA DA CNBB SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA E SUAS IMPLICAÇÕES
PARA OS DIREITOS SOCIAIS
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - acompanha atentamente as iniciativas do Poder Executivo e do Congresso Nacional, que visam um amplo projeto de mudanças no sistema tributário nacional, iniciado por uma proposta de emenda constitucional (PEC 233/2008) e que deverá prosseguir, por meio de normas complementares, até 2015.
A iniciativa de Reforma Tributária objetiva uma reestruturação econômica explícita do sistema tributário: simplificação, desoneração, maior eficiência e combate à chamada “guerra fiscal”. Contudo, ao fazê-lo, realiza certa desconstrução das finanças sociais, erigidas a partir da Constituição de 1988, cuja instituição síntese é o Orçamento da Seguridade Social.
Comprometida com a causa da evangelização, à luz da opção preferencial pelos pobres, a preocupação da CNBB, neste contexto da Reforma, é o destino incerto e a conseqüente insegurança que se confere aos direitos sociais. Estes são, até o presente, amparados pelos recursos constitucionalmente vinculados à proteção social pública do Sistema Único de Saúde (SUS), Previdência Social, Assistência Social e Seguro Desemprego – todos garantidos, atualmente, no Orçamento da Seguridade Social. O Projeto de Reforma realiza forte retrocesso, ao vincular recursos, explicitados nominalmente a este sistema, que somam menos de 40% do seu orçamento atual. Todo o restante fica relegado a promessas de soluções ulteriores.
No espírito e no texto da Constituição Federal, o sistema tributário e a garantia dos direitos sociais estão estreitamente relacionados nos artigos 194 e 195. Passados 20 anos da promulgação da Carta Magna, entre avanços e recuos no processo de alteração da mesma, manteve-se o princípio da proteção contra cortes e manipulações conjunturais das despesas com a seguridade social, a ponto de se regulamentar tal dispositivo em Lei Complementar, como a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000, art. 24.
Mudar o conceito de despesa da seguridade no novo texto constitucional, sem garantias explícitas para todo o restante do Orçamento, significa criar uma situação de insegurança no que se relaciona à garantia dos direitos sociais.
Constata-se, no Projeto da Reforma, a ausência de objetivos e método apropriados para promover justiça social na tributação, como a taxação progressiva dos rendimentos, a tributação da riqueza e da propriedade. Ao invés deste caminho, a Reforma escolhe a tributação sobre o consumo de bens e serviços.
Numa sociedade desigual como a nossa, é preciso pensar Reformas Constitucionais promotoras do bem comum e da eqüidade, no esforço para consolidar justiça social, distribuição da renda e universalização dos direitos. Nesse sentido, justifica-se uma reforma que concretize o dever cidadão do justo tributo.
Por tudo isso, a CNBB sente-se no dever de promover e defender os direitos dos mais fracos da sociedade, instando a Presidência da República, o Congresso Nacional e a sociedade em geral a considerar o risco do grave retrocesso presente no texto atual da PEC 233-2008. Faz parte da missão da Igreja o compromisso de participar na construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo10,10).
Brasília, DF, 13 de junho de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

O Encontro Matrimonial Mundial, movimento que procura oferecer aos casais uma oportunidade para examinarem suas vidas a dois, já pode ser encontrado em Teresina. A dinâmica, que acontece em um final de semana, encoraja nos
participantes a partilha de sentimentos, esperanças, desacordos, alegrias
e desilusões. Para mais informações, clicar aqui, aqui e aqui!

CONCURSO DE REPORTAGEM "DOM AVELAR BRANDÃO VILELA"
A Arquidiocese de Teresina, através
da Ação Social Arquidiocesana, divulgou
os editais dos concursos de reportagem sobre a XIII
Caminhada da Fraternidade. O Concurso
de Reportagem “Dom Avelar Brandão Vilela”
irá premiar a melhor matéria jornalística
sobre os serviços beneficiados com os recursos
arrecadados pela Caminhada e a melhor cobertura do
evento. Veja aqui,
o regulamento do 6º Concurso de Reportagem
sobre a Caminhada da Fraternidade – Cobertura;
e
aqui, o regulamento do 1º Concurso
de
Reportagem sobre os serviços beneficiados pela
Caminhada da Fraternidade.
CONVITE
Aproxima-se a Caminhada da Fraternidade. Passamos
grande parte da nossa existência, caminhando.
Caminhamos de casa para o trabalho, para a escola,
para encontrar amigos, para resolver problemas. Nossa
história vivida é um caminhar.
Na Caminhada da Fraternidade não caminhamos
em direção a um lugar nem para realizar
algum trabalho ou cumprir uma tarefa. Caminhamos em
direção aos outros, rumo a um Outro
que é Caminho e Vida.
Vamos caminhar no próximo dia 15 de junho.
Nesse ano caminharemos em favor da vida. Você
e sua comunidade não podem faltar. Escolhe
a vida, venha caminhar.
Dom Celso José
Arcebispo Metropolitano de Teresina

O Conselho Missionário Regional, do Regional Nordeste 1/CNBB, está organizando mais uma etapa da Escola de Formação Missionária, que acontecerá no Seminário Arquidiocesano São José, em Fortaleza-CE, entre os dias 21 a 25 de julho. O assessor será o Padre Estevão Raschietti, SX, mestre em Teologia Dogmática com concentração em Missiologia pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, São Paulo, SP, assessor do Conselho Missionário Nacional da CNBB e membro da equipe do Centro Cultural Conforti de Curitiba-PR. O tema desta etapa será: Paróquia Missionária – Paróquia Comunidade de Comunidades. Mais informações, clicar aqui!

NOTA DA CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE
A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) que julgou a validade constitucional
do artigo 5º e seus parágrafos da Lei
de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite
aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas
e terapêuticas, os embriões criados a
partir da fecundação in vitro e que
estão congelados há mais de três
anos em clínicas de fertilização.
A decisão do STF revelou uma grande divergência
sobre a questão em julgamento, o que mostra
que há ministros do Supremo que, nesse caso,
têm posições éticas semelhantes
à da CNBB. Portanto, não se trata de
uma questão religiosa, mas de promoção
e defesa da vida humana, desde a fecundação,
em qualquer circunstância em que esta se encontra.
Reconhecer que o embrião é um ser humano
desde o início do seu ciclo vital significa
também constatar a sua extrema vulnerabilidade
que exige o empenho nos confrontos de quem é
fraco, uma atenção que deve ser garantida
pela conduta ética dos cientistas e dos médicos,
e de uma oportuna legislação nacional
e internacional.
Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia
e a biologia, o embrião humano tem direito
à proteção do Estado. A circunstância
de estar in vitro ou no útero materno não
diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável
que o STF não tenha confirmado esse direito
cristalino, permitindo que vidas humanas em estado
embrionário sejam ceifadas.
No mundo inteiro, não há até
hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas
científicas com células-tronco obtidas
de embriões humanos em pessoas, por causa do
alto risco de rejeição e de geração
de teratomas.
Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito
pela opinião pública, as células-tronco
embrionárias não são o remédio
para a cura de todos os males. A alternativa mais
viável para essas pesquisas científicas
é a utilização de células-tronco
adultas, retiradas do próprio paciente, que
já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos
tipos de tratamento de doenças degenerativas.
Reafirmamos que o simples fato de estar na presença
de um ser humano exige o pleno respeito à sua
integridade e dignidade: todo comportamento que possa
constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos
fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o
direito à vida, é considerado gravemente
imoral.
A CNBB continuará seu trabalho em favor da
vida, desde a concepção até o
seu declínio natural.
Brasília, 29 de maio de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de
Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar
do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
Programação
Semana Santa 2008



Mensagem do Papa Bento XVI
para a Quaresma de 2008
Cristo fez-Se pobre por vós
(Cor 8, 9)
Queridos irmãos e irmãs!
1. Todos os anos, a Quaresma oferece-nos
uma providencial ocasião para aprofundar o
sentido e o valor do nosso ser de cristãos,
e estimula-nos a redescobrir a misericórdia
de Deus a fim de nos tornarmos, por nossa vez, mais
misericordiosos para com os irmãos. No tempo
quaresmal, a Igreja tem o cuidado de propor alguns
compromissos específicos que ajudem, concretamente,
os fiéis neste processo de renovação
interior: tais são a oração,
o jejum e a esmola. Este ano, na habitual Mensagem
quaresmal, desejo deter-me sobre a prática
da esmola, que representa uma forma concreta de socorrer
quem se encontra em necessidade e, ao mesmo tempo,
uma prática ascética para se libertar
da afeição aos bens terrenos. Jesus
declara, de maneira peremptória, quão
forte é a atração das riquezas
materiais e como deve ser clara a nossa decisão
de não as idolatrar, quando afirma: «Não
podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Lc 16,
13). A esmola ajuda-nos a vencer esta incessante tentação,
educando-nos para ir ao encontro das necessidades
do próximo e partilhar com os outros aquilo
que, por bondade divina, possuímos. Tal é
a finalidade das coletas especiais para os pobres,
que são promovidas em muitas partes do mundo
durante a Quaresma. Desta forma, a purificação
interior é corroborada por um gesto de comunhão
eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva.
São Paulo fala disto mesmo quando, nas suas
Cartas, se refere à coleta para a comunidade
de Jerusalém (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27).
2. Segundo o ensinamento evangélico,
não somos proprietários mas administradores
dos bens que possuímos: assim, estes não
devem ser considerados propriedade exclusiva, mas
meios através dos quais o Senhor chama cada
um de nós a fazer-se intermediário da
sua providência junto do próximo. Como
recorda o Catecismo da Igreja Católica, os
bens materiais possuem um valor social, exigido pelo
princípio do seu destino universal (cf. n.
2403).
É evidente, no Evangelho, a admoestação
que Jesus faz a quem possui e usa só para si
as riquezas terrenas. À vista das multidões
carentes de tudo, que passam fome, adquirem o tom
de forte reprovação estas palavras de
São João: «Aquele que tiver bens
deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade,
mas lhe fechar o seu coração, como pode
estar nele o amor de Deus?» (1 Jo 3, 17). Entretanto,
este apelo à partilha ressoa, com maior eloquência,
nos Países cuja população é
composta, na sua maioria, por cristãos, porque
é ainda mais grave a sua responsabilidade face
às multidões que penam na indigência
e no abandono. Socorrê-las é um dever
de justiça, ainda antes de ser um gesto de
caridade.
3. O Evangelho ressalta uma característica
típica da esmola cristã: deve ficar
escondida. «Que a tua mão esquerda não
saiba o que fez a direita», diz Jesus, «a
fim de que a tua esmola permaneça em segredo»
(Mt 6, 3-4). E, pouco antes, tinha dito que não
devemos vangloriar-nos das nossas boas ações,
para não corrermos o risco de ficar privados
da recompensa celeste (cf. Mt 6, 1-2). A preocupação
do discípulo é que tudo seja para a
maior glória de Deus. Jesus admoesta: «Brilhe
a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as
vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está
nos Céus» (Mt 5, 16). Portanto, tudo
deve ser realizado para glória de Deus, e não
nossa. Queridos irmãos e irmãs, que
esta consciência acompanhe cada gesto de ajuda
ao próximo evitando que se transforme num meio
nos pormos em destaque. Se, ao praticarmos uma boa
ação, não tivermos como finalidade
a glória de Deus e o verdadeiro bem dos irmãos,
mas visarmos antes uma compensação de
interesse pessoal ou simplesmente de louvor, colocamo-nos
fora da lógica evangélica. Na moderna
sociedade da imagem, é preciso redobrar de
atenção, dado que esta tentação
é frequente. A esmola evangélica não
é simples filantropia: trata-se antes de uma
expressão concreta da caridade, virtude teologal
que exige a conversão interior ao amor de Deus
e dos irmãos, à imitação
de Jesus Cristo, que, ao morrer na cruz, Se entregou
totalmente por nós. Como não agradecer
a Deus por tantas pessoas que no silêncio, longe
dos refletores da sociedade mediática, realizam
com este espírito generosas ações
de apoio ao próximo em dificuldade? De pouco
serve dar os próprios bens aos outros, se o
coração se ensoberbece com isso: tal
é o motivo por que não procura um reconhecimento
humano para as obras de misericórdia realizadas
quem sabe que Deus «vê no segredo»
e no segredo recompensará.
4. Convidando-nos a ver a esmola
com um olhar mais profundo que transcenda a dimensão
meramente material, a Escritura ensina-nos que há
mais alegria em dar do que em receber (cf. Act 20,
35). Quando agimos com amor, exprimimos a verdade
do nosso ser: de fato, fomos criados a fim de vivermos
não para nós próprios, mas para
Deus e para os irmãos (cf. 2 Cor 5, 15). Todas
as vezes que por amor de Deus partilhamos os nossos
bens com o próximo necessitado, experimentamos
que a plenitude de vida provém do amor e tudo
nos retorna como bênção sob forma
de paz, satisfação interior e alegria.
O Pai celeste recompensa as nossas esmolas com a sua
alegria. Mais ainda: São Pedro cita, entre
os frutos espirituais da esmola, o perdão dos
pecados. «A caridade – escreve ele –
cobre a multidão dos pecados» (1 Pd 4,
8). Como se repete com frequência na liturgia
quaresmal, Deus oferece-nos, a nós pecadores,
a possibilidade de sermos perdoados. O fato de partilhar
com os pobres o que possuímos, predispõe-nos
para recebermos tal dom. Penso, neste momento, em
quantos experimentam o peso do mal praticado e, por
isso mesmo, se sentem longe de Deus, receosos e quase
incapazes de recorrer a Ele. A esmola, aproximando-nos
dos outros, aproxima-nos de Deus também e pode
tornar-se instrumento de autêntica conversão
e reconciliação com Ele e com os irmãos.
5. A esmola educa para a generosidade
do amor. São José Bento Cottolengo costumava
recomendar: «Nunca conteis as moedas que dais,
porque eu sempre digo: se ao dar a esmola a mão
esquerda não há de saber o que faz a
direita, também a direita não deve saber
ela mesma o que faz » (Detti e pensieri, Edilibri,
n. 201). A este propósito, é muito significativo
o episódio evangélico da viúva
que, da sua pobreza, lança no tesouro do templo
«tudo o que tinha para viver» (Mc 12,
44). A sua pequena e insignificante moeda tornou-se
um símbolo eloquente: esta viúva dá
a Deus não o supérfluo, não tanto
o que tem como sobretudo aquilo que é; entrega-se
totalmente a si mesma.
Este episódio comovedor está inserido
na descrição dos dias que precedem imediatamente
a paixão e morte de Jesus, o Qual, como observa
São Paulo, fez-Se pobre para nos enriquecer
pela sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9); entregou-Se totalmente
por nós. A Quaresma, nomeadamente através
da prática da esmola, impele-nos a seguir o
seu exemplo. Na sua escola, podemos aprender a fazer
da nossa vida um dom total; imitando-O, conseguimos
tornar-nos disponíveis para dar não
tanto algo do que possuímos, mas darmo-nos
a nós próprios. Não se resume
porventura todo o Evangelho no único mandamento
da caridade? A prática quaresmal da esmola
torna-se, portanto, um meio para aprofundar a nossa
vocação cristã. Quando se oferece
gratuitamente a si mesmo, o cristão testemunha
que não é a riqueza material que dita
as leis da existência, mas o amor. Deste modo,
o que dá valor à esmola é o amor,
que inspira formas diversas de doação,
segundo as possibilidades e as condições
de cada um.
6. Queridos irmãos e irmãs,
a Quaresma convida-nos a «treinar-nos»
espiritualmente, nomeadamente através da prática
da esmola, para crescermos na caridade e nos pobres
reconhecermos o próprio Cristo. Nos Atos dos
Apóstolos, conta-se que o apóstolo Pedro
disse ao coxo que pedia esmola à porta do templo:
«Não tenho ouro nem prata, mas vou dar-te
o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te
e anda» (At 3, 6). Com a esmola, oferecemos
algo de material, sinal do dom maior que podemos oferecer
aos outros com o anúncio e o testemunho de
Cristo, em cujo nome temos a vida verdadeira. Que
este período se caracterize, portanto, por
um esforço pessoal e comunitário de
adesão a Cristo para sermos testemunhas do
seu amor. Maria, Mãe e Serva fiel do Senhor,
ajude os crentes a regerem o «combate espiritual»
da Quaresma armados com a oração, o
jejum e a prática da esmola, para chegarem
às celebrações das Festas Pascais
renovados no espírito. Com estes votos, de
bom grado concedo a todos a Bênção
Apostólica.
Papa Bento XVI
Mensagem do Papa Bento XVI
para a celebração do
42º Dia Mundial das Comunicações
Sociais
Queridos irmãos e irmãs!
1. O tema da próxima Jornada
Mundial das Comunicações Sociais - «Os
meios de comunicação social: na encruzilhada
entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade
para partilhá-la» - coloca em relevo
como é importante o papel destes instrumentos
na vida das pessoas e da sociedade. De fato, não
existe âmbito da experiência humana, sobretudo
se enquadrada no vasto fenômeno da globalização,
onde os media não se tenham tornado
parte constitutiva das relações interpessoais
e dos processos sociais, econômicos, políticos
e religiosos. A tal propósito, escrevi na Mensagem
para a Jornada da Paz do passado dia 1º de janeiro:
«Os meios de comunicação social,
pelas potencialidades educativas de que dispõem,
têm uma responsabilidade especial de promover
o respeito pela família, de ilustrar as suas
expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência
a sua beleza» (n. 5).
2. Graças a uma vertiginosa
evolução tecnológica, os referidos
meios foram adquirindo potencialidades extraordinárias,
ao mesmo tempo que levantavam novas e inéditas
interrogações e problemas. É
inegável a contribuição que podem
dar para a circulação das notícias,
o conhecimento dos fatos e a difusão do saber:
por exemplo, contribuíram de modo decisivo
para a alfabetização e a socialização,
como também para o avanço da democracia
e do diálogo entre os povos. Sem a sua contribuição,
seria verdadeiramente difícil favorecer e melhorar
a compreensão entre as nações,
conferir respiro universal aos diálogos de
paz, garantir ao homem o bem primário da informação,
assegurando ao mesmo tempo a livre circulação
de intentos a bem nomeadamente dos ideais de solidariedade
e justiça social. Sim! Os media, no
seu conjunto, não servem apenas para a difusão
das idéias, mas podem e devem ser também
instrumentos ao serviço de um mundo mais justo
e solidário. Infelizmente, é bem real
o risco de, pelo contrário, se transformarem
em sistemas que visam submeter o homem a lógicas
ditadas pelos interesses predominantes de momento.
É o caso de uma comunicação usada
para fins ideológicos ou para a venda de produtos
de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com
o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se
a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal,
familiar ou social. Além disso, para atrair
os ouvintes, a chamada quota de audiências,
por vezes não se hesita em recorrer à
transgressão, à vulgaridade e à
violência. Existe enfim a possibilidade de serem
propostos e defendidos, através dos media,
modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir,
aumentam o desnível tecnológico entre
países ricos e pobres.
3. A humanidade encontra-se hoje
numa encruzilhada. Vale também para os media
aquilo que escrevi, na Encíclica Spe salvi,
sobre a ambigüidade do progresso, que oferece
inéditas potencialidades para o bem, mas ao
mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal que
antes não existiam (cf. n. 22). Por isso, há
que interrogar-se se é sensato deixar que os
instrumentos de comunicação social se
ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado
ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular
as consciências. Não se deveria, antes,
fazer com que permaneçam ao serviço
da pessoa e do bem comum e favoreçam «a
formação ética do homem, o crescimento
do homem interior» (Spe salvi, 22)?
A sua influência extraordinária na vida
das pessoas e da sociedade é um fato amplamente
reconhecido, mas hoje há que pôr em evidência
a viragem, diria mesmo a mudança verdadeira
e própria de função, que os media
estão a enfrentar. Hoje, de modo sempre mais
acentuado, a comunicação parece às
vezes ter a pretensão não só
de apresentar a realidade, mas também de determinar
graças à capacidade e força de
sugestão que possui. Constata-se, por exemplo,
que em certos casos os media são utilizados,
não para um correto serviço de informação,
mas para «criar» os próprios acontecimentos.
Esta perigosa alteração da sua função
é vista com preocupação por muitos
Pastores. Exatamente porque se trata de realidades
que incidem profundamente em todas as dimensões
da vida humana (moral, intelectual, religiosa, relacional,
afetiva, cultural), estando em jogo o bem da pessoa,
impõe-se reafirmar que nem tudo aquilo que
for tecnicamente possível é eticamente
praticável. Por isso, o impacto dos meios de
comunicação sobre a vida do homem contemporâneo
coloca questões inevitáveis, que aguardam
decisões e respostas não mais adiáveis.
4. O papel que os instrumentos de
comunicação assumiram na sociedade é
já considerado parte integrante da questão
antropológica, que surge como desafio crucial
do terceiro milênio. De modo semelhante ao que
se verifica no setor da vida humana, do matrimônio
e da família e no âmbito das grandes
questões contemporâneas relativas à
paz, à justiça e à defesa da
criação, também no setor das
comunicações sociais estão em
jogo dimensões constitutivas do homem e da
sua verdade. Quando a comunicação perde
as amarras éticas e se esquiva ao controle
social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade
e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se
a influir negativamente sobre a sua consciência,
sobre as suas decisões, e a condicionar em
última análise a liberdade e a própria
vida das pessoas. Por este motivo é indispensável
que as comunicações sociais defendam
ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade.
São muitos a pensar que, neste âmbito,
seja atualmente necessária uma «info-ética»
tal como existe a bioética no campo da medicina
e da pesquisa científica relacionada com a
vida.
5. É preciso evitar que os
media se tornem o megafone do materialismo
econômico e do relativismo ético, verdadeiras
pragas do nosso tempo. Pelo contrário, eles
podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade
sobre o homem, defendendo-a face àqueles que
tendem a negá-la ou a destruí-la. Pode-se
mesmo afirmar que a busca e a apresentação
da verdade sobre o homem constituem a vocação
mais sublime da comunicação social.
Usar para tal fim as linguagens todas e cada vez mais
belas e primorosas de que dispõem os media
é uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro
lugar aos responsáveis e operadores do setor.
Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos
nós, porque todos, nesta época da globalização,
somos utentes e operadores de comunicações
sociais. Os novos media, sobretudo telefonia
e internet, estão a modificar a própria
fisionomia da comunicação, e talvez
esta seja uma ocasião preciosa para a redesenhar,
ou seja, para tornar mais visíveis, como disse
o meu venerado predecessor João Paulo II, os
traços essenciais e irrenunciáveis da
verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apostólica
O rápido desenvolvimento, 10).
6. O homem tem sede de verdade,
anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente
a atenção e o sucesso registrados por
muitas publicações, programas ou filmes
de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas
a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo
a sua dimensão religiosa. Jesus disse: «Conhecereis
a verdade e a verdade vos libertará»
(Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é
Cristo, porque só Ele pode corresponder plenamente
à sede de vida e de amor que está no
coração do homem. Quem O encontrou e
se apaixona pela sua mensagem, experimenta o desejo
irreprimível de partilhar e comunicar esta
verdade: «O que era desde o princípio,
o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos - escreve
São João -, o que contemplamos, o que
tocamos com as nossas mãos acerca do Verbo
da Vida, é o que nós vos anunciamos
[...], para que estejais também em comunhão
conosco. E a nossa comunhão é com o
Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos tudo
isto, para que a vossa alegria seja completa»
(1 Jo 1, 1-3).
Invocamos o Espírito Santo para que não
faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas
da verdade que, fiéis ao mandato de Cristo
e apaixonados pela mensagem da fé, «saibam
tornar-se intérpretes das exigências
culturais contemporâneas, comprometendo-se a
viver esta época da comunicação,
não como um tempo de alienação
e de confusão, mas como um período precioso
para a investigação da verdade e para
o desenvolvimento da comunhão entre as pessoas
e entre os povos» (João Paulo II, Discurso
no Congresso Parábolas mediáticas,
9 de Novembro de 2002).
Com estes votos, afetuosamente concedo a todos a
minha bênção.
Vaticano, 24 de janeiro de 2008, festa de São
Francisco de Sales.
Papa Bento XVI
Mensagem do Papa Bento XVI
para a celebração do Dia Mundial da
Paz
1º de janeiro de 2008

FAMÍLIA HUMANA, COMUNIDADE DE PAZ
1.
No início de um ano novo, desejo fazer chegar
meus ardentes votos de paz, acompanhados duma calorosa
mensagem de esperança, aos homens e mulheres
do mundo inteiro; faço-o, propondo à
reflexão comum o tema com que abri esta mensagem
e que me está particularmente a peito: Família
humana, comunidade de paz. Com efeito, a primeira
forma de comunhão entre pessoas é a
que o amor suscita entre um homem e uma mulher decididos
a unir-se estavelmente para construírem juntos
uma nova família. Entretanto, os povos da terra
também são chamados a instaurar entre
si relações de solidariedade e colaboração,
como convém em membros da única família
humana: Os homens – sentenciou o Concílio
Vaticano II – constituem todos uma só
comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi
Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro gênero
humano (At 17, 26); têm também
todos um só fim último, Deus .
Família, sociedade e paz
2. A família natural, enquanto
comunhão íntima de vida e de amor fundada
sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher,
constitui o lugar primário da 'humanização'
da pessoa e da sociedade, o berço
da vida e do amor. Por isso, a família
é justamente designada como a primeira sociedade
natural, uma instituição divina
colocada como fundamento da vida das pessoas, como
protótipo de todo o ordenamento social.
3. Com efeito, numa vida familiar
sã experimentam-se algumas componentes
fundamentais da paz: a justiça e o amor entre
irmãos e irmãs, a função
da autoridade manifestada pelos pais, o serviço
carinhoso aos membros mais débeis porque pequenos,
doentes ou idosos, a mútua ajuda nas necessidades
da vida, a disponibilidade para acolher o outro e,
se necessário, perdoar-lhe. Por isso, a família
é a primeira e insubstituível educadora
para a paz. Não admira, pois, que a violência,
quando perpetrada em família, seja sentida
como particularmente intolerável. Deste modo,
quando se diz que a família é a
primeira célula vital da sociedade, afirma-se
algo de essencial. A família é fundamento
da sociedade inclusivamente porque permite fazer decisivas
experiências de paz. Devido a isso, a comunidade
humana não pode prescindir do serviço
que a família realiza. Onde poderá o
ser humano em formação aprender melhor
a apreciar o sabor genuíno da paz
do que no ninho primordial que a natureza
lhe prepara? A linguagem familiar usa um léxico
de paz; aqui é necessário recorrer sempre
para não perder o uso do vocabulário
da paz. Na inflação das linguagens,
a sociedade não pode perder a referência
àquela gramática que cada criança
aprende dos gestos e olhares da mãe e do pai,
antes mesmo das suas palavras.
4. Uma vez que a família
tem o dever de educar os seus membros, a mesma é
titular de direitos específicos. A própria
Declaração Universal dos Direitos Humanos,
que constitui uma aquisição de civilização
jurídica de valor verdadeiramente universal,
afirma que a família é o núcleo
natural e fundamental da sociedade e tem direito a
ser protegida pela sociedade e pelo Estado. Por
seu lado, a Santa Sé quis reconhecer uma especial
dignidade jurídica à família,
publicando a Carta dos Direitos da Família.
Lê-se no Preâmbulo: Os direitos da
pessoa, ainda que expressos como direitos do indivíduo,
têm uma dimensão social fundamental,
que encontra na família a sua expressão
originária e vital. Os direitos enunciados
na Carta são expressão e explicitação
da lei natural, inscrita no coração
do ser humano e que lhe é manifestada pela
razão. A negação ou mesmo a restrição
dos direitos da família, obscurecendo a verdade
sobre o homem, ameaça os próprios alicerces
da paz.
5. Deste modo quem, mesmo inconscientemente,
combate o instituto familiar, debilita a paz na comunidade
inteira, nacional e internacional, porque enfraquece
aquela que é efetivamente a principal agência
de paz. Este é um ponto que merece especial
reflexão: tudo o que contribui para debilitar
a família fundada sobre o matrimônio
de um homem e uma mulher, aquilo que direta ou indiretamente
refreia a sua abertura ao acolhimento responsável
de uma nova vida, o que dificulta o seu direito de
ser a primeira responsável pela educação
dos filhos, constitui um impedimento objetivo no caminho
da paz. A família tem necessidade da casa,
do emprego ou do justo reconhecimento da atividade
doméstica dos pais, da escola para os filhos,
de assistência sanitária básica
para todos. Quando a sociedade e a política
não se empenham a ajudar a família nestes
campos, privam-se de um recurso essencial ao serviço
da paz. De forma particular os meios de comunicação
social, pelas potencialidades educativas de que dispõem,
têm uma responsabilidade especial de promover
o respeito pela família, de ilustrar as suas
expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência
a sua beleza.
A humanidade é uma grande família
6. A própria comunidade
social, para viver em paz, é chamada a inspirar-se
nos valores por que se rege a comunidade familiar.
Isto vale tanto para as comunidades locais como nacionais;
mais, vale para a própria comunidade dos povos,
para a família humana que vive nesta casa comum
que é a terra. Numa tal perspectiva, porém,
não se pode esquecer que a família nasce
do sim responsável e definitivo de
um homem e de uma mulher e vive do sim consciente
dos filhos que pouco a pouco entram a fazer parte
dela. Para prosperar, a comunidade familiar tem necessidade
do consenso generoso de todos os seus membros. É
preciso que esta consciência se torne convicção
partilhada também por quantos são chamados
a formar a família humana comum. É necessário
saber dizer o sim pessoal a esta vocação
que Deus inscreveu na nossa própria natureza.
Não vivemos uns ao lado dos outros por acaso;
estamos percorrendo todos um mesmo caminho como homens
e por isso como irmãos e irmãs. Desta
forma, é essencial que cada um se empenhe por
viver a própria vida em atitude de responsabilidade
diante de Deus, reconhecendo n'Ele a fonte originária
da existência própria e alheia. É
subindo até este Princípio supremo que
se pode perceber o valor incondicional de todo o ser
humano, colocando as premissas para a edificação
duma humanidade pacificada. Sem este Fundamento transcendente,
a sociedade é apenas uma agregação
de vizinhos, e não uma comunidade de irmãs
e irmãos chamados a formar uma grande família.
Família, comunidade humana e ambiente
7. A família precisa duma
casa, dum ambiente à sua medida onde tecer
as próprias relações. No caso
da família humana, esta casa é a terra,
o ambiente que Deus criador nos deu para que o habitássemos
com criatividade e responsabilidade. Devemos cuidar
do ambiente: este foi confiado ao homem, para que
o guarde e cultive com liberdade responsável,
tendo sempre como critério orientador o bem
de todos. Obviamente, o ser humano tem um primado
de valor sobre toda a criação. Respeitar
o ambiente não significa considerar a natureza
material ou animal mais importante do que o homem;
quer dizer antes não a considerar egoisticamente
à completa disposição dos próprios
interesses, porque as gerações futuras
também têm o direito de beneficiar da
criação, exprimindo nela a mesma liberdade
responsável que reivindicamos para nós.
Nem se hão-de esquecer os pobres, em muitos
casos excluídos do destino universal dos bens
da criação. Atualmente a humanidade
teme pelo futuro equilíbrio ecológico.
Será bom que as avaliações a
este respeito se façam com prudência,
no diálogo entre peritos e cientistas, sem
acelerações ideológicas para
conclusões apressadas e sobretudo pondo-se
conjuntamente de acordo sobre um modelo de progresso
sustentável, que garanta o bem-estar de todos
no respeito dos equilíbrios ecológicos.
Se a tutela do ambiente comporta os seus custos, estes
devem ser distribuídos com justiça tendo
em conta a disparidade de desenvolvimento dos vários
países e a solidariedade com as futuras gerações.
Prudência não significa deixar de assumir
as próprias responsabilidades e adiar as decisões;
significa antes assumir o empenho de decidir juntos
depois de ter ponderado responsavelmente qual a estrada
a percorrer, com o objetivo de reforçar aquela
aliança entre ser humano e ambiente que deve
ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos
e para Quem estamos a caminho.
8. A tal propósito, é
fundamental sentir a terra como nossa
casa comum e escolher, para uma gestão
da mesma ao serviço de todos, a estrada do
diálogo em vez de decisões unilaterais.
Podem-se aumentar, se for necessário, os lugares
institucionais a nível internacional, para
se enfrentar conjuntamente o governo desta nossa casa;
mas, o que mais conta é fazer maturar nas consciências
a convicção da necessidade de colaborar
responsavelmente. Os problemas que se desenham no
horizonte são complexos e o tempo escasseia.
Para fazer frente de maneira eficaz à situação,
é preciso agir de comum acordo. Um âmbito
onde seria particularmente necessário intensificar
o diálogo entre as nações é
o da gestão dos recursos energéticos
do planeta. A tal respeito, uma dupla urgência
preme sobre os países tecnologicamente avançados:
é preciso, por um lado, rever os elevados níveis
de consumo devido ao modelo atual de progresso e,
por outro, providenciar adequados investimentos para
a diferenciação das fontes de energia
e o melhoramento da sua utilização.
Os países emergentes sentem carência
de energia, mas às vezes esta carência
é remediada prejudicando os países pobres,
que, pela insuficiência das suas infra-estruturas
nomeadamente tecnológicas, se vêem obrigados
a vender ao desbarato os recursos energéticos
em seu poder. Às vezes a sua própria
liberdade política é posta em discussão
por formas de protetorado ou, em todo o caso, de condicionamento
que resultam claramente humilhantes.
Família, comunidade humana e economia
9. Condição essencial
para a paz nas famílias é que estas
assentem sobre o alicerce firme de valores espirituais
e éticos compartilhados. No entanto, é
preciso acrescentar que a família experimenta
autenticamente a paz quando a ninguém falta
o necessário, e o patrimônio familiar
– fruto do trabalho de alguns, da poupança
de outros e da colaboração ativa de
todos – é bem gerido na solidariedade,
sem excessos nem desperdício. Para a paz familiar,
portanto, é necessária a abertura a
um patrimônio transcendente de valores, mas,
simultaneamente, há que não menosprezar
a sapiente gestão quer dos bens materiais quer
das relações entre as pessoas. O falimento
desta componente tem como conseqüência
a quebra da confiança recíproca devido
às perspectivas incertas que passam a gravar
sobre o futuro do núcleo familiar.
10. O mesmo se diga daquela grande
família que é a humanidade no seu todo.
De fato a família humana, que hoje aparece
ainda mais interligada pelo fenômeno da globalização,
além de um alicerce de valores compartilhados
tem necessidade também de uma economia que
corresponda verdadeiramente às exigências
de um bem comum com dimensões planetárias.
A referência à família natural
revela-se, sob este ponto de vista também,
singularmente sugestiva. Entre os indivíduos
humanos e entre os povos, é preciso promover
relações corretas e sinceras, que permitam
a todos colaborarem num plano de paridade e justiça.
Ao mesmo tempo, tem-se de trabalhar por uma sábia
utilização dos recursos e uma eqüitativa
distribuição da riqueza. De forma particular,
as ajudas concedidas aos países pobres devem
obedecer a critérios duma lógica econômica
sã, evitando desperdícios que no fim
de contas resultam sobretudo do funcionamento de custosos
aparelhos burocráticos. É preciso ter
em devida conta também a exigência moral
de fazer com que a organização econômica
não obedeça somente às duras
leis do lucro imediato, que se podem revelar desumanas.
Família, comunidade humana e lei
moral
11. Uma família vive em
paz, se todos os seus componentes se sujeitam a uma
norma comum: é esta que impede o individualismo
egoísta e que mantém unidos os indivíduos,
favorecendo a sua coexistência harmoniosa e
laboriosidade para o fim comum. Tal critério,
em si óbvio, vale também para as comunidades
mais amplas: desde as locais passando pelas nacionais,
até à própria comunidade internacional.
Para se gozar de paz, há necessidade duma lei
comum que ajude a liberdade a ser verdadeiramente
tal, e não um arbítrio cego, e que proteja
o fraco da prepotência do mais forte. Na família
dos povos, verificam-se muitos comportamentos arbitrários,
seja dentro dos diversos Estados seja nas relações
destes entre si. Além disso, não faltam
situações em que o fraco tem de inclinar
a cabeça não frente às exigências
da justiça mas à força nua e
crua de quem possui mais meios do que ele. É
preciso repeti-lo: a força há de ser
sempre disciplinada pela lei, e isto mesmo deve acontecer
também nas relações entre Estados
soberanos.
12. Sobre a natureza e a função
da lei, já muitas vezes se pronunciou a Igreja:
a norma jurídica que regula as relações
das pessoas entre si, disciplinando os comportamentos
externos e prevendo também sanções
para os transgressores, tem como critério a
norma moral assente na natureza das coisas. A razão
humana, por sua vez, é capaz de discerni-la,
pelo menos nas suas exigências fundamentais,
subindo assim até à Razão criadora
de Deus que está na origem de todas as coisas.
Esta norma moral deve regular as opções
das consciências e guiar todos os comportamentos
dos seres humanos. Existirão normas jurídicas
para as relações entre as nações
que formam a família humana? E, se existem,
serão operativas? Eis a resposta: sim, as normas
existem, mas para fazer com que sejam verdadeiramente
operativas é preciso subir até à
norma moral natural como base da norma jurídica;
de contrário, esta fica à mercê
de frágeis e provisórios consensos.
13. O conhecimento da norma moral
natural não está vedado ao homem que
entre em si mesmo e, tendo diante dos olhos o próprio
destino, se interrogue sobre a lógica interna
das mais profundas inclinações presentes
no seu ser. Embora com perplexidades e incertezas,
ele pode chegar a descobrir, pelo menos nas suas linhas
essenciais, esta lei moral comum que, independentemente
das diferenças culturais, permite aos seres
humanos entenderem-se entre si quanto aos aspectos
mais importantes do bem e do mal, do justo e do injusto.
É imprescindível subir até esta
lei fundamental, empenhando nesta pesquisa as nossas
melhores energias intelectuais sem deixar-se desanimar
por equívocos nem confusões. Com efeito,
valores radicados na lei natural estão presentes,
ainda que de forma fragmentária e nem sempre
coerente, nos acordos internacionais, nas formas de
autoridade universalmente reconhecidas, nos princípios
do direito humanitário recebido nas legislações
dos diversos Estados ou nos estatutos dos organismos
internacionais. A humanidade não está
sem lei. É urgente, porém,
prosseguir o diálogo sobre estes temas, favorecendo
a convergência das próprias legislações
dos diversos Estados sobre o reconhecimento dos direitos
humanos fundamentais. O crescimento da cultura jurídica
no mundo depende, para além do mais, do esforço
de tornar as normas internacionais sempre substanciosas
de conteúdo profundamente humano, para evitar
a sua redução a procedimentos facilmente
contornáveis por motivos egoístas ou
ideológicos.
Superação dos conflitos e
desarmamento
14. A humanidade vive hoje, infelizmente,
grandes divisões e fortes conflitos que lançam
densas sombras sobre o seu futuro. Temos vastas áreas
do planeta envolvidas em tensões crescentes,
enquanto o perigo de se multiplicarem os países
detentores de armas nucleares cria motivadas apreensões
em toda a pessoa responsável. Há ainda
muitas guerras civis no continente africano, embora
também se tenham registrado em vários
dos seus países progressos na liberdade e na
democracia. O Médio Oriente continua a ser
teatro de conflitos e atentados, que não deixam
de influenciar nações e regiões
limítrofes com o risco de arrastá-las
na espiral da violência.
A nível mais geral, há que registrar,
com tristeza, um número maior de Estados envolvidos
na corrida aos armamentos: temos até nações
em vias de desenvolvimento que destinam uma quota
importante do seu magro produto interno para a compra
de armas. Neste funesto comércio, são
muitas as responsabilidades: há os países
do mundo industrialmente desenvolvido que arrecadam
avultados lucros da venda de armas e temos as oligarquias
reinantes em muitos países pobres que pretendem
reforçar a sua posição com a
aquisição de armas cada vez mais sofisticadas.
Em tempos tão difíceis, é verdadeiramente
necessária a mobilização de todas
as pessoas de boa vontade para se encontrar acordos
concretos que visem uma eficaz desmilitarização,
sobretudo no campo das armas nucleares. Nesta fase
em que o processo de não proliferação
nuclear marca passo, sinto-me no dever de exortar
as Autoridades a retomarem, com mais firme determinação,
as conversações em ordem ao desmantelamento
progressivo e concordado das armas nucleares existentes.
Ao renovar este apelo, sei que dou voz a um desejo
compartilhado por quantos têm a peito o futuro
da humanidade.
15. Há sessenta anos, a
Organização das Nações
Unidas tornava pública, de maneira solene,
a Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948-2008). Com tal documento, a família
humana reagia aos horrores da II Guerra Mundial, reconhecendo
a sua própria unidade assente na igual dignidade
de todos os homens e pondo, no centro da convivência
humana, o respeito pelos direitos fundamentais dos
indivíduos e dos povos: tratou-se de um passo
decisivo no árduo e empenhativo caminho da
concórdia e da paz. Merece também menção
especial a passagem do 25º aniversário
da adoção pela Santa Sé da Carta
dos Direitos da Família (1983-2008), bem como
o 40º aniversário da celebração
do primeiro Dia Mundial da Paz (1968-2008). Fruto
duma providencial intuição do Papa Paulo
VI, retomada com grande convicção pelo
meu amado e venerado predecessor, Papa João
Paulo II, a celebração deste Dia proporcionou
ao longo dos anos a possibilidade de a Igreja desenvolver,
através das Mensagens publicadas para tal circunstância,
uma doutrina elucidativa em defesa deste bem humano
fundamental.
É precisamente à luz de tais significativas
comemorações que convido todo o homem
e toda a mulher a tomarem consciência mais lúcida
da sua pertença comum à única
família humana e a empenharem-se por que a
convivência sobre a terra espelhe cada vez mais
esta convicção da qual depende a instauração
de uma paz verdadeira e duradoura. Em seguida, convido
os crentes a implorarem de Deus, sem se cansar, o
grande dom da paz. Os cristãos, por seu lado,
sabem que podem confiar-se à intercessão
d'Aquela que, sendo Mãe do Filho de Deus encarnado
para a salvação da humanidade inteira,
é Mãe comum.
A todos desejo um Ano Novo feliz!
Vaticano, 8 de dezembro de 2007
Papa Bento XVI
CONVITE
- II Semana da Pessoa Idosa, de 24 a 27 de setembro

A Pastoral do Idoso da Paróquia
Nossa Senhora de Fátima, coordenada pela casal
Rômulo e Isabel, promoverá a II Semana
da Pessoa Idosa, com o tema Carinho não
tem Idade; Uma Ação Cidadã,
entre os dias 24 a 27 de setembro, no salão
paroquial da Matriz.
PROGRAMAÇÃO
24 de setembro
15h - Abertura - Rômulo
e Isabel
15h10min - Apresentação do Coral da
3ª Idade / SESC-PI
16h - Lanche
16h30min - Palestra: Envelhecimento Ativo
Palestrante: Cristino
Oliveira - Coordenador da 3ª Idade / SESC-PI
17h - Palestra: 3ª Idade tem Direito
Palestante: Marcos Solemar
25 de setembro
15h - Abertura - Valdir e Irene
apresentam o Grupo de Teatro e Artes Mirim Sonho
Azul, do Monte Castelo
15h10min - Palestra: Cura pela Fé
Palestrante: Valdivino Pires
16h - Lanche
16h30 min - Palestra: Oração
- O Caminho da Fé
Palestrante: Fábio Carvalho
26 de setembro
15h - Abertura com Ramiro e
Sandra
15h10min - Palestra: Sorrir faz bem
Palestrantes: Rivaldo e Sandra
15h40min - Apresentação
das idosas da Nossa Casa e da Pastoral
do Idoso
16h - Lanche
16h30min - Show de humor
27 de setembro
15h - Abertura com Gonçalo
e Góes
15h10min - Palestra: Vida Saudável
e Ergonomia na 3ª Idade
Palestrantes: Jandira, Socorro e Arlene
16h - Lanche
16h20min - Palestra: Coração
bate feliz quando se é feliz
Palestrante: Carlos Alberto Linhares
18h - Missa na Matriz
CONVITE - Arraiá
do Seu
Tunico

O nosso "irmão
mais velho", Pe. Tony Batista, comemorará
o seu aniversário no Arraiá do Seu
Tonico. A festa, que acontece há 27 anos,
foi uma iniciativa de paroquianos(as) que procurou
reunir as pessoas que desejavam homenagear, em separado,
o querido pároco de Fátima, que completa
anos no dia 28 de junho. Com o passar dos anos, a
organização do evento aprimorou-se e,
atualmente, a festa ajuda a manter alguns serviços
da Paróquia. São vendidas nas
barracas comidas típicas, bolos, churrasquinhos
e refrigerantes. Participem da nossa alegria no dia
30 de junho, na AABB! Quadrilhas e brincadeiras esperam
você e sua família!!
CONVITE - Mística
no Matrimônio
Uma palestra sobre a Mística no Matrimônio,
que será proferida pelo Pe. Tony Batista, acontecerá
no dia 22 de junho, às 19h30min, no Salão
Paroquial de Fátima. A Pastoral Familiar, responsável
pelo momento, está convidando os casais, noivos,
jovens e adultos, famílias ampliadas, agentes
pastorais e todos aqueles(as) que se interessem em
entender e assimilar para a vida, a importância
da espiritualidade na contrução da felicidade
com o(a) outro(a) e com Deus. Participem!!

31.03.07 - Sábado - Noite: Vigília
19h - Bênção, Procissão
de Ramos e Santa Missa , na Igreja de Santo Antônio
- Ininga.
01.04.07 - Domingo de Ramos e da Paixão
do Senhor
08h - Bênção e Procissão
de Ramos, Praça Dom Avelar. Santa Missa na
Matriz de
Nossa Senhora de Fátima
10h - Bênção, Procissão
de Ramos e Santa Missa, na Igreja do Sagrado Coração
de
Jesus - Alto da Graça
17h - Bênção, Procissão
de Ramos e Santa Missa, na Igreja de Nossa Senhora
da
Glória - Planalto Ininga
17h - Bênção, Procissão
de Ramos e Santa Missa, no Lar de Misericórdia
19h - Santa Missa com entrada solene na Igreja Matriz
de Nossa Senhora de Fátima
02.04.07 - Segunda-feira da Semana Santa
19h - Dia de Retiro para o clero e Santa Missa do
Crsima, na Catedral de Nossa
Senhora das Dores
03.04.07 - Terça-feira da Semana Santa
08h - Manhã de confissões na Igreja
Matriz de Nossa Senhora de Fátima
15h - Tarde de confissões na Igreja de Santo
Antônio - Ininga
18h - Santa Missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora
de Fátima
04.04.07 - Quarta-feira da Semana Santa
08h - Manhã de confissões na Igreja
Matriz de Nossa Senhora de Fátima e na Igreja
de Nossa Senhora da Glória - Planalto
18h - Santa Missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora
de Fátima
05.04.07 - Quinta-feira Santa da Ceia do
Senhor
10h - Confissões para jovens na Igreja Matriz
de Nossa Senhora de Fátima
19h - Santa Missa da CEIA DO SENHOR, Lava-pés
e adoração do Santíssimo
Sacramento até à meia-noite, na Igreja
Matriz de Nossa Senhora de Fátima
06.04.07 - Sexta-feira Santa
10h - Confissões (para adultos) na Igreja Matriz
de Nossa Senhora de Fátima
15h - Celebração da Paixão do
Senhor:
-Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
-Igreja de Nossa Senhora da Glória, Planalto
-Igreja de Santo Antônio, Ininga
20h - Via Sacra pela Av. Nossa Senhora de Fátima
07.04.07 - Sábado Santo (O Grande
Silêncio)
19h - Solene Vigília Pascal na Igreja de Santo
Antônio, Ininga
21h - Solene Vigília Pascal na Igreja de Nossa
Senhora da Glória, Planalto
22h - Solene Vigília Pascal na Igreja Matriz
de Nossa Senhora de Fátima
(Em todas as comunidades teremos celebração
batismal, renovação das promessas,
do Batismo e Liturgia Eucarística. Todos devem
trazer a sua vela)
08.04.07 - Domingo de Páscoa na Ressurreição
do Senhor
10h - Santa Missa Solene na Igreja do Sagrado Coração
de Jesus, Alto da Graça
17h - Santa Missa Solene na Igreja de Nossa Senhora
da Glória, Planalto
17h - Santa Missa Solene no Lar da Misericórdia
19h- Santa Missa Solene na Igreja Matriz de Nossa
Senhora de Fátima

A Escola da Fé Santa
Edith Stein, da Paróquia de Fátima,
funciona às segundas-feiras, das 19h às
21h30, oferecendo Curso de Teologia para Leigos, em
quatro anos, com o seguinte conteúdo: 1º
ano - Bíblia (AT e NT), 2º e 3º anos
- Catecismo da Igreja Católica e, no 4º
ano, os seguintes temas: Cristologia (março),
Eclesiologia(abril), Mariologia(maio),
Liturgia(junho), Teologia Moral(agosto),
Doutrina Social da Igreja(setembro),
História da Igreja(outubro)
e Antropologia Teológica(novembro).
Os temas oferecidos no 4º ano, relacionados à
fé cristã, serão abertos à
comunidade.
O curso terá início
com a SEMANA DE FILOSOFIA, que é uma atividade
para os alunos da Escola da Fé e aberta à
participação da comunidade.
A programação
da 1ª SEMANA DE FILOSOFIA, que acontecerá
entre os dias 26 de fevereiro a 2 de março,
sempre das 19h às 21h30, é a seguinte:
Dia 26/02
Abertura / Oração Inicial / Acolhimento
aos participantes / Inscrição para minicursos
Conferência 1 - Filosofia, do assombro ao
maravilhamento
Conferencista: Especialista Fábio Carvalho
Fernandes
Debate
Momento cultural: Encantamento com a poesia
Dia 27/02
Acolhimento / Oração Inicial
Minicurso
Serão oferecidos os minicursos: Lógica
e o Pensamento, Reflexões sobre a
morte e o
morrer, Bioética: resposta para os
novos tempos?, A questão de Deus na
filosofia de
René Descartes.
Momento cultural: Representando a vida (teatro)
Dia 28/02
Acolhimento / Oração Inicial / Inscrições
para filmes
Conferência 2 - Filosofia, a arte de pensar
e o exercício do senso crítico
Conferencista: Dr. Gerson Albuquerque de Araújo
Neto
Debate
Momento cultural: Dançando a vida
Apresentação musical - MPB
Dia 01/03
Acolhimento / Oração Inicial
Vídeo-debate
Serão exibidos os filmes: Crash - No limite,
Zuzu Angel, A Sétima Morada,
Casa de
Areia e Névoa, O Mercador de Veneza.
Dia 02/03
Acolhimento / Oração Inicial
Conferência 3 - A razão e a fé
no pensamento do Papa João Paulo II
Conferencista: Dom Celso José Pinto da Silva
Debate
Momento cultural: Cantando a vida
Apresentação musical - MPB

Informações sobre CF-2007, clicar aqui!
FRATERNIDADE E AMAZÔNIA
Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil
A Amazônia será
tema da Campanha da Fraternidade em 2007, com o lema:
“vida e missão neste chão”.
Em 2002, a CNBB constituiu
a Comissão Episcopal para a Amazônia
com o objetivo de ajudar toda a Igreja no Brasil a
voltar os olhos para a Amazônia e a tomar consciência
dos grandes desafios da evangelização
naquela região. A escolha do tema “Fraternidade
e Amazônia” é expressão
da mesma preocupação pastoral do episcopado;
a Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser
uma ocasião privilegiada para que também
todo o Brasil tome consciência mais aprofundada
sobre a complexa problemática da Amazônia
e se volte para lá com políticas e iniciativas
eficazes.
Ao falar em Amazônia,
vem imediatamente à memória a preocupante
questão ambiental: grandes rios e florestas
imensas, devastação do verde e ameaça
à riquíssima biodiversidade. Acompanhamos
com apreensão a ocupação, muitas
vezes predatória, das terras amazônicas,
sem que seu complexo e delicado eco-sistema seja respeitado.
O egoísmo e a ganância na exploração
das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam
seriamente esse patrimônio natural, que não
é somente dos brasileiros; a devastação
da Amazônia configura-se como uma perda e uma
ameaça para toda a humanidade.
Amazônia também
faz pensar em questões sociais e antropológicas:
indígenas perturbados e agredidos em suas culturas;
esvaziamento do território, já tão
pouco povoado, crescimento caótico dos centros
urbanos; ocupação de vastas áreas
com projetos agropecuários, conflitos pela
ocupação e posse das terras. O impacto
da urbanização, da economia e da cultura
globalizadas sobre as populações locais
gera migrações, desenraizamento social,
cultural e religioso; no coração da
Amazônia, e não apenas na área
de Manaus, apresentam-se os problemas sociais típicos
de áreas metropolitanas e industriais do centro-sul
do País: falta de infra-estrutura e de serviços
públicos nas novas áreas de povoamento
e nas explosivas realidades urbanas, desemprego, violência
e degradação dos costumes.
A Amazônia, além
disso, representa para a Igreja um conjunto de desafios
novos postos à sua ação evangelizadora.
As migrações levaram para a Amazônia
centenas de milhares de pessoas de todas as partes
do Brasil; sugiram novas áreas de povoamento,
que necessitam de assistência religiosa às
populações e de estruturas de vida eclesial.
As dioceses e prelazias daquela região, no
passado, eram geralmente socorridas por missionários
estrangeiros, que as serviam com recursos humanos
e materiais vindos de fora do País; hoje essas
forças ficaram drasticamente reduzidas e as
Igrejas da Amazônia ainda não estão
em condições de enfrentar sozinhas a
sua imensa tarefa evangelizadora.
Como atender adequadamente
as comunidades católicas esparsas pelo vasto
território? A ação intensa de
grupos religiosos não-católicos está
questionando seriamente a capacidade e a agilidade
de nossa Igreja católica em atender devidamente
às necessidades religiosas dos seus próprios
fiéis. Chegou a hora de uma grande ação
solidária de toda a Igreja no Brasil para a
evangelização da região amazônica.
O apoio e o revigoramento daquela Igreja local tornou-se
urgente e requer a ajuda de voluntários e missionários
das outras regiões do País, além
de recursos econômicos e logísticos.
“Vida e missão
nesse chão”. A Igreja católica
esteve presente no meio dos povos amazônicos
desde o início da evangelização
do Brasil e quer agora aprofundar sua presença
e ação no meio deles. O lema aponta
para os objetivos e a dupla preocupação
da Campanha da Fraternidade de 2007. De um lado, fraternidade
efetiva e corresponsabilidade na defesa e promoção
da vida, que se manifesta de maneiras tão exuberantes
e de tantos modos na Amazônia; por outro lado,
fraternidade em relação à Igreja
local, com todas as suas organizações
e expressões, para que ela esteja em condições
de assumir sua missão de anunciar o Evangelho
da vida e da esperança aos povos amazônicos.
A CF de 2007 poderá
ser um grande momento para trazer a Amazônia
para dentro do coração da Igreja no
Brasil e de todos os brasileiros; será ocasião
também para suscitar iniciativas e ações
eficazes de valorização e defesa daquela
vasta e ameaçada região brasileira.
Antes que seja tarde demais.

Informações sobre
a Conferência,
clicar
aqui.
Conferência de
Aparecida: A voz de Deus na voz dos tempos
D.Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de S.Paulo
Secretário Geral da CNBB
Faltam apenas poucos meses
para o início Conferência Geral de Aparecida.
De 13 a 31 de Maio de 2007, as atenções
do Brasil e do continente Latino-Americano estarão
voltadas para o Santuário Nacional de Nossa
Senhora Aparecida, a casa da Mãe da Igreja,
que abrigará a V Conferência Geral do
Episcopado da América Latina e do Caribe. Será
um momento histórico para Aparecida e para
a Igreja no Brasil. Como se recordam hoje as Conferências
de Medellín, Puebla e Santo Domingo, no futuro
se falará também da Conferência
de Aparecida.
A fase preparatória
vai adiantada. Após um ano de reflexão
sobre o tema da Conferência “na base”da
Igreja, tendo como referência o Documento de
Participação, foram enviadas numerosas
contribuições por todas as Conferências
Episcopais do Continente à Comissão
Central de preparação da V Conferência,
no CELAM, que está preparando o Documento de
Síntese. Deverá ficar pronto em fevereiro
ou, no mais tardar, em março, para ser colocado
nas mãos dos Delegados da Conferência,
assim como do público interessado.
Enquanto isso, no dia 12 de
dezembro de 2006, o papa Bento XVI, ao mesmo tempo
que confirmava o tema, a data e o lugar da V Conferência,
já nomeou três Presidentes, um Secretário-Geral
e um Secretário-Geral Adjunto, para coordenarem
a organização e os trabalhos da Conferência
de Aparecida. Falta ainda convocar os membros e os
convidados da grande reunião eclesial, o quê
deverá acontecer em breve. Em Aparecida, a
preparação do local, da hospedagem e
de toda a logística da Conferência também
já vai adiantada.
Importa agora intensificar
a preparação próxima, através
de estudos sobre o levantamento da realidade brasileira
e latino-americana e da reflexão teológica
sobre os diversos enfoques da temática da Conferência.
Os Delegados escolhidos pelas Conferências Episcopais,
nesta fase, estão diante da responsabilidade
de “auscultar” a voz das Igrejas locais
que os escolheram para representá-las. Quais
serão suas contribuições para
o bom fruto da Conferência? Quais serão
suas contribuições e o quê eles
dirão em Aparecida? Cabe a eles fazer um discernimento
sobre a realidade de seus povos e de suas Igrejas
locais, ouvindo “o que o Espírito diz
às Igrejas” através voz do povo
e das circunstâncias...
Certamente, não deverá
faltar a oração, pois se trata de um
evento eclesial da maior relevância. A oração
da V Conferência é bonita e apropriada
para isso. Mas também outros exercícios
de piedade são desejados, como o santo rosário
e as peregrinações aos santuários
marianos, ou as pregações por ocasião
das festas patronais das comunidades. A Conferência
de Aparecida deverá indicar rumos para a vida
e o trabalho da Igreja nos próximos anos. Não
se trata apenas de um projeto humano, mas estão
envolvidos o desígnio e a obra de Deus. Por
isso mesmo, agora é tempo de intensa invocação
do Espírito Santo, para que ilumine os trabalhos
da Conferência de Aparecida e renove a face
da terra e da Igreja Latino-Americana.
“Discípulos e
missionários de Jesus Cristo, para que nele
nossos povos tenham vida. Eu sou o caminho, a verdade
e a vida”, este é o tema da 5a. Conferência
Geral, escolhido pelo Papa Bento XVI. Se é
verdade que os povos da América Latina reconhecem,
em geral, grande credibilidade à Igreja, também
é fácil concluir que olham para ela
com a ansiosa esperança de receber luzes e
impulsos para sua história, para a superação
de seus problemas e para terem “vida em abundância”.
Esta é uma grande responsabilidade, mas também
uma grande oportunidade para que a Igreja cumpra bem
a missão que lhe foi confiada por Jesus Cristo.