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NOTA DA CNBB SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA E SUAS IMPLICAÇÕES
PARA OS DIREITOS SOCIAIS

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - acompanha atentamente as iniciativas do Poder Executivo e do Congresso Nacional, que visam um amplo projeto de mudanças no sistema tributário nacional, iniciado por uma proposta de emenda constitucional (PEC 233/2008) e que deverá prosseguir, por meio de normas complementares, até 2015.

A iniciativa de Reforma Tributária objetiva uma reestruturação econômica explícita do sistema tributário: simplificação, desoneração, maior eficiência e combate à chamada “guerra fiscal”. Contudo, ao fazê-lo, realiza certa desconstrução das finanças sociais, erigidas a partir da Constituição de 1988, cuja instituição síntese é o Orçamento da Seguridade Social.

Comprometida com a causa da evangelização, à luz da opção preferencial pelos pobres, a  preocupação da CNBB, neste contexto da Reforma, é o destino incerto e a conseqüente insegurança que se confere aos direitos sociais. Estes são, até o presente, amparados pelos recursos constitucionalmente vinculados à proteção social pública do Sistema Único de Saúde (SUS), Previdência Social, Assistência Social e Seguro Desemprego – todos garantidos, atualmente, no Orçamento da Seguridade Social. O Projeto de Reforma realiza forte retrocesso, ao vincular recursos, explicitados nominalmente a este sistema, que somam menos de 40% do seu orçamento atual. Todo o restante fica relegado a promessas de soluções ulteriores.

No espírito e no texto da Constituição Federal, o sistema tributário e a garantia dos direitos sociais estão estreitamente relacionados nos artigos 194 e 195. Passados 20 anos da promulgação da Carta Magna, entre avanços e recuos no processo de alteração da mesma, manteve-se o princípio da proteção contra cortes e manipulações conjunturais das despesas com a seguridade social, a ponto de se regulamentar tal dispositivo em Lei Complementar, como a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2000, art. 24.

Mudar o conceito de despesa da seguridade no novo texto constitucional, sem garantias explícitas para todo o restante do Orçamento, significa criar uma situação de insegurança no que se relaciona à garantia dos direitos sociais.

Constata-se, no Projeto da Reforma, a ausência de objetivos e método apropriados para promover justiça social na tributação, como a taxação progressiva dos rendimentos, a tributação da riqueza e da propriedade. Ao invés deste caminho, a Reforma escolhe a tributação sobre o consumo de bens e serviços.

Numa sociedade desigual como a nossa, é preciso pensar Reformas Constitucionais promotoras do bem comum e da eqüidade, no esforço para consolidar justiça social, distribuição da renda e universalização dos direitos. Nesse sentido, justifica-se uma reforma que concretize o dever cidadão do justo tributo.

Por tudo isso, a CNBB sente-se no dever de promover e defender os direitos dos mais fracos da sociedade, instando a Presidência da República, o Congresso Nacional e a sociedade em geral a considerar o risco do grave retrocesso presente no texto atual da PEC 233-2008. Faz parte da missão da Igreja o compromisso de participar na construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo10,10).

Brasília, DF, 13 de junho de 2008. 

Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB       

Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

 

O Encontro Matrimonial Mundial, movimento que procura oferecer aos casais uma oportunidade para examinarem suas vidas a dois, já pode ser encontrado em Teresina. A dinâmica, que acontece em um final de semana, encoraja nos
participantes a partilha de sentimentos, esperanças, desacordos, alegrias
e desilusões. Para mais informações, clicar aqui, aqui e aqui!

 


CONCURSO DE REPORTAGEM "DOM AVELAR BRANDÃO VILELA"

A Arquidiocese de Teresina, através da Ação Social Arquidiocesana, divulgou os editais dos concursos de reportagem sobre a XIII Caminhada da Fraternidade. O Concurso de Reportagem “Dom Avelar Brandão Vilela” irá premiar a melhor matéria jornalística sobre os serviços beneficiados com os recursos arrecadados pela Caminhada e a melhor cobertura do evento. Veja aqui, o regulamento do 6º Concurso de Reportagem sobre a Caminhada da Fraternidade – Cobertura; e aqui, o regulamento do 1º Concurso
de Reportagem sobre os serviços beneficiados pela Caminhada da Fraternidade
.


CONVITE

Aproxima-se a Caminhada da Fraternidade. Passamos grande parte da nossa existência, caminhando. Caminhamos de casa para o trabalho, para a escola, para encontrar amigos, para resolver problemas. Nossa história vivida é um caminhar.

Na Caminhada da Fraternidade não caminhamos em direção a um lugar nem para realizar algum trabalho ou cumprir uma tarefa. Caminhamos em direção aos outros, rumo a um Outro que é Caminho e Vida.

Vamos caminhar no próximo dia 15 de junho. Nesse ano caminharemos em favor da vida. Você e sua comunidade não podem faltar. Escolhe a vida, venha caminhar.

Dom Celso José
Arcebispo Metropolitano de Teresina

 

O Conselho Missionário Regional, do Regional Nordeste 1/CNBB, está organizando mais uma etapa da Escola de Formação Missionária, que acontecerá no Seminário Arquidiocesano São José, em Fortaleza-CE, entre os dias 21 a 25 de julho. O assessor será o Padre Estevão Raschietti, SX, mestre em Teologia Dogmática com concentração em Missiologia pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, São Paulo, SP, assessor do Conselho Missionário Nacional da CNBB e membro da equipe do Centro Cultural Conforti de Curitiba-PR. O tema desta etapa será: Paróquia Missionária – Paróquia Comunidade de Comunidades. Mais informações, clicar aqui!

 

NOTA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE
A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5º e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação in vitro e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização.

A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.

Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.

Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.

No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.

Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.

Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.

A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.

Brasília, 29 de maio de 2008.

Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

 

 

Programação Semana Santa 2008

 

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2008

Cristo fez-Se pobre por vós (Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

1. Todos os anos, a Quaresma oferece-nos uma providencial ocasião para aprofundar o sentido e o valor do nosso ser de cristãos, e estimula-nos a redescobrir a misericórdia de Deus a fim de nos tornarmos, por nossa vez, mais misericordiosos para com os irmãos. No tempo quaresmal, a Igreja tem o cuidado de propor alguns compromissos específicos que ajudem, concretamente, os fiéis neste processo de renovação interior: tais são a oração, o jejum e a esmola. Este ano, na habitual Mensagem quaresmal, desejo deter-me sobre a prática da esmola, que representa uma forma concreta de socorrer quem se encontra em necessidade e, ao mesmo tempo, uma prática ascética para se libertar da afeição aos bens terrenos. Jesus declara, de maneira peremptória, quão forte é a atração das riquezas materiais e como deve ser clara a nossa decisão de não as idolatrar, quando afirma: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Lc 16, 13). A esmola ajuda-nos a vencer esta incessante tentação, educando-nos para ir ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Tal é a finalidade das coletas especiais para os pobres, que são promovidas em muitas partes do mundo durante a Quaresma. Desta forma, a purificação interior é corroborada por um gesto de comunhão eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva. São Paulo fala disto mesmo quando, nas suas Cartas, se refere à coleta para a comunidade de Jerusalém (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27).

2. Segundo o ensinamento evangélico, não somos proprietários mas administradores dos bens que possuímos: assim, estes não devem ser considerados propriedade exclusiva, mas meios através dos quais o Senhor chama cada um de nós a fazer-se intermediário da sua providência junto do próximo. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, os bens materiais possuem um valor social, exigido pelo princípio do seu destino universal (cf. n. 2403).

É evidente, no Evangelho, a admoestação que Jesus faz a quem possui e usa só para si as riquezas terrenas. À vista das multidões carentes de tudo, que passam fome, adquirem o tom de forte reprovação estas palavras de São João: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus?» (1 Jo 3, 17). Entretanto, este apelo à partilha ressoa, com maior eloquência, nos Países cuja população é composta, na sua maioria, por cristãos, porque é ainda mais grave a sua responsabilidade face às multidões que penam na indigência e no abandono. Socorrê-las é um dever de justiça, ainda antes de ser um gesto de caridade.

3. O Evangelho ressalta uma característica típica da esmola cristã: deve ficar escondida. «Que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita», diz Jesus, «a fim de que a tua esmola permaneça em segredo» (Mt 6, 3-4). E, pouco antes, tinha dito que não devemos vangloriar-nos das nossas boas ações, para não corrermos o risco de ficar privados da recompensa celeste (cf. Mt 6, 1-2). A preocupação do discípulo é que tudo seja para a maior glória de Deus. Jesus admoesta: «Brilhe a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos Céus» (Mt 5, 16). Portanto, tudo deve ser realizado para glória de Deus, e não nossa. Queridos irmãos e irmãs, que esta consciência acompanhe cada gesto de ajuda ao próximo evitando que se transforme num meio nos pormos em destaque. Se, ao praticarmos uma boa ação, não tivermos como finalidade a glória de Deus e o verdadeiro bem dos irmãos, mas visarmos antes uma compensação de interesse pessoal ou simplesmente de louvor, colocamo-nos fora da lógica evangélica. Na moderna sociedade da imagem, é preciso redobrar de atenção, dado que esta tentação é frequente. A esmola evangélica não é simples filantropia: trata-se antes de uma expressão concreta da caridade, virtude teologal que exige a conversão interior ao amor de Deus e dos irmãos, à imitação de Jesus Cristo, que, ao morrer na cruz, Se entregou totalmente por nós. Como não agradecer a Deus por tantas pessoas que no silêncio, longe dos refletores da sociedade mediática, realizam com este espírito generosas ações de apoio ao próximo em dificuldade? De pouco serve dar os próprios bens aos outros, se o coração se ensoberbece com isso: tal é o motivo por que não procura um reconhecimento humano para as obras de misericórdia realizadas quem sabe que Deus «vê no segredo» e no segredo recompensará.

4. Convidando-nos a ver a esmola com um olhar mais profundo que transcenda a dimensão meramente material, a Escritura ensina-nos que há mais alegria em dar do que em receber (cf. Act 20, 35). Quando agimos com amor, exprimimos a verdade do nosso ser: de fato, fomos criados a fim de vivermos não para nós próprios, mas para Deus e para os irmãos (cf. 2 Cor 5, 15). Todas as vezes que por amor de Deus partilhamos os nossos bens com o próximo necessitado, experimentamos que a plenitude de vida provém do amor e tudo nos retorna como bênção sob forma de paz, satisfação interior e alegria. O Pai celeste recompensa as nossas esmolas com a sua alegria. Mais ainda: São Pedro cita, entre os frutos espirituais da esmola, o perdão dos pecados. «A caridade – escreve ele – cobre a multidão dos pecados» (1 Pd 4, 8). Como se repete com frequência na liturgia quaresmal, Deus oferece-nos, a nós pecadores, a possibilidade de sermos perdoados. O fato de partilhar com os pobres o que possuímos, predispõe-nos para recebermos tal dom. Penso, neste momento, em quantos experimentam o peso do mal praticado e, por isso mesmo, se sentem longe de Deus, receosos e quase incapazes de recorrer a Ele. A esmola, aproximando-nos dos outros, aproxima-nos de Deus também e pode tornar-se instrumento de autêntica conversão e reconciliação com Ele e com os irmãos.

5. A esmola educa para a generosidade do amor. São José Bento Cottolengo costumava recomendar: «Nunca conteis as moedas que dais, porque eu sempre digo: se ao dar a esmola a mão esquerda não há de saber o que faz a direita, também a direita não deve saber ela mesma o que faz » (Detti e pensieri, Edilibri, n. 201). A este propósito, é muito significativo o episódio evangélico da viúva que, da sua pobreza, lança no tesouro do templo «tudo o que tinha para viver» (Mc 12, 44). A sua pequena e insignificante moeda tornou-se um símbolo eloquente: esta viúva dá a Deus não o supérfluo, não tanto o que tem como sobretudo aquilo que é; entrega-se totalmente a si mesma.

Este episódio comovedor está inserido na descrição dos dias que precedem imediatamente a paixão e morte de Jesus, o Qual, como observa São Paulo, fez-Se pobre para nos enriquecer pela sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9); entregou-Se totalmente por nós. A Quaresma, nomeadamente através da prática da esmola, impele-nos a seguir o seu exemplo. Na sua escola, podemos aprender a fazer da nossa vida um dom total; imitando-O, conseguimos tornar-nos disponíveis para dar não tanto algo do que possuímos, mas darmo-nos a nós próprios. Não se resume porventura todo o Evangelho no único mandamento da caridade? A prática quaresmal da esmola torna-se, portanto, um meio para aprofundar a nossa vocação cristã. Quando se oferece gratuitamente a si mesmo, o cristão testemunha que não é a riqueza material que dita as leis da existência, mas o amor. Deste modo, o que dá valor à esmola é o amor, que inspira formas diversas de doação, segundo as possibilidades e as condições de cada um.

6. Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma convida-nos a «treinar-nos» espiritualmente, nomeadamente através da prática da esmola, para crescermos na caridade e nos pobres reconhecermos o próprio Cristo. Nos Atos dos Apóstolos, conta-se que o apóstolo Pedro disse ao coxo que pedia esmola à porta do templo: «Não tenho ouro nem prata, mas vou dar-te o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda» (At 3, 6). Com a esmola, oferecemos algo de material, sinal do dom maior que podemos oferecer aos outros com o anúncio e o testemunho de Cristo, em cujo nome temos a vida verdadeira. Que este período se caracterize, portanto, por um esforço pessoal e comunitário de adesão a Cristo para sermos testemunhas do seu amor. Maria, Mãe e Serva fiel do Senhor, ajude os crentes a regerem o «combate espiritual» da Quaresma armados com a oração, o jejum e a prática da esmola, para chegarem às celebrações das Festas Pascais renovados no espírito. Com estes votos, de bom grado concedo a todos a Bênção Apostólica.

Papa Bento XVI

 

Mensagem do Papa Bento XVI para a celebração do
42º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Queridos irmãos e irmãs!

1. O tema da próxima Jornada Mundial das Comunicações Sociais - «Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para partilhá-la» - coloca em relevo como é importante o papel destes instrumentos na vida das pessoas e da sociedade. De fato, não existe âmbito da experiência humana, sobretudo se enquadrada no vasto fenômeno da globalização, onde os media não se tenham tornado parte constitutiva das relações interpessoais e dos processos sociais, econômicos, políticos e religiosos. A tal propósito, escrevi na Mensagem para a Jornada da Paz do passado dia 1º de janeiro: «Os meios de comunicação social, pelas potencialidades educativas de que dispõem, têm uma responsabilidade especial de promover o respeito pela família, de ilustrar as suas expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência a sua beleza» (n. 5).

2. Graças a uma vertiginosa evolução tecnológica, os referidos meios foram adquirindo potencialidades extraordinárias, ao mesmo tempo que levantavam novas e inéditas interrogações e problemas. É inegável a contribuição que podem dar para a circulação das notícias, o conhecimento dos fatos e a difusão do saber: por exemplo, contribuíram de modo decisivo para a alfabetização e a socialização, como também para o avanço da democracia e do diálogo entre os povos. Sem a sua contribuição, seria verdadeiramente difícil favorecer e melhorar a compreensão entre as nações, conferir respiro universal aos diálogos de paz, garantir ao homem o bem primário da informação, assegurando ao mesmo tempo a livre circulação de intentos a bem nomeadamente dos ideais de solidariedade e justiça social. Sim! Os media, no seu conjunto, não servem apenas para a difusão das idéias, mas podem e devem ser também instrumentos ao serviço de um mundo mais justo e solidário. Infelizmente, é bem real o risco de, pelo contrário, se transformarem em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes de momento. É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social. Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência. Existe enfim a possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível tecnológico entre países ricos e pobres.

3. A humanidade encontra-se hoje numa encruzilhada. Vale também para os media aquilo que escrevi, na Encíclica Spe salvi, sobre a ambigüidade do progresso, que oferece inéditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal que antes não existiam (cf. n. 22). Por isso, há que interrogar-se se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências. Não se deveria, antes, fazer com que permaneçam ao serviço da pessoa e do bem comum e favoreçam «a formação ética do homem, o crescimento do homem interior» (Spe salvi, 22)? A sua influência extraordinária na vida das pessoas e da sociedade é um fato amplamente reconhecido, mas hoje há que pôr em evidência a viragem, diria mesmo a mudança verdadeira e própria de função, que os media estão a enfrentar. Hoje, de modo sempre mais acentuado, a comunicação parece às vezes ter a pretensão não só de apresentar a realidade, mas também de determinar graças à capacidade e força de sugestão que possui. Constata-se, por exemplo, que em certos casos os media são utilizados, não para um correto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos. Esta perigosa alteração da sua função é vista com preocupação por muitos Pastores. Exatamente porque se trata de realidades que incidem profundamente em todas as dimensões da vida humana (moral, intelectual, religiosa, relacional, afetiva, cultural), estando em jogo o bem da pessoa, impõe-se reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é eticamente praticável. Por isso, o impacto dos meios de comunicação sobre a vida do homem contemporâneo coloca questões inevitáveis, que aguardam decisões e respostas não mais adiáveis.

4. O papel que os instrumentos de comunicação assumiram na sociedade é já considerado parte integrante da questão antropológica, que surge como desafio crucial do terceiro milênio. De modo semelhante ao que se verifica no setor da vida humana, do matrimônio e da família e no âmbito das grandes questões contemporâneas relativas à paz, à justiça e à defesa da criação, também no setor das comunicações sociais estão em jogo dimensões constitutivas do homem e da sua verdade. Quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade. São muitos a pensar que, neste âmbito, seja atualmente necessária uma «info-ética» tal como existe a bioética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida.

5. É preciso evitar que os media se tornem o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo. Pelo contrário, eles podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o homem, defendendo-a face àqueles que tendem a negá-la ou a destruí-la. Pode-se mesmo afirmar que a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social. Usar para tal fim as linguagens todas e cada vez mais belas e primorosas de que dispõem os media é uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro lugar aos responsáveis e operadores do setor. Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos nós, porque todos, nesta época da globalização, somos utentes e operadores de comunicações sociais. Os novos media, sobretudo telefonia e internet, estão a modificar a própria fisionomia da comunicação, e talvez esta seja uma ocasião preciosa para a redesenhar, ou seja, para tornar mais visíveis, como disse o meu venerado predecessor João Paulo II, os traços essenciais e irrenunciáveis da verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apostólica O rápido desenvolvimento, 10).

6. O homem tem sede de verdade, anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a atenção e o sucesso registrados por muitas publicações, programas ou filmes de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimensão religiosa. Jesus disse: «Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará» (Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é Cristo, porque só Ele pode corresponder plenamente à sede de vida e de amor que está no coração do homem. Quem O encontrou e se apaixona pela sua mensagem, experimenta o desejo irreprimível de partilhar e comunicar esta verdade: «O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos - escreve São João -, o que contemplamos, o que tocamos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos [...], para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos tudo isto, para que a vossa alegria seja completa» (1 Jo 1, 1-3).

Invocamos o Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade que, fiéis ao mandato de Cristo e apaixonados pela mensagem da fé, «saibam tornar-se intérpretes das exigências culturais contemporâneas, comprometendo-se a viver esta época da comunicação, não como um tempo de alienação e de confusão, mas como um período precioso para a investigação da verdade e para o desenvolvimento da comunhão entre as pessoas e entre os povos» (João Paulo II, Discurso no Congresso Parábolas mediáticas, 9 de Novembro de 2002).

Com estes votos, afetuosamente concedo a todos a minha bênção.

Vaticano, 24 de janeiro de 2008, festa de São Francisco de Sales.

Papa Bento XVI

 

Mensagem do Papa Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz
1º de janeiro de 2008



FAMÍLIA HUMANA, COMUNIDADE DE PAZ

1. No início de um ano novo, desejo fazer chegar meus ardentes votos de paz, acompanhados duma calorosa mensagem de esperança, aos homens e mulheres do mundo inteiro; faço-o, propondo à reflexão comum o tema com que abri esta mensagem e que me está particularmente a peito: Família humana, comunidade de paz. Com efeito, a primeira forma de comunhão entre pessoas é a que o amor suscita entre um homem e uma mulher decididos a unir-se estavelmente para construírem juntos uma nova família. Entretanto, os povos da terra também são chamados a instaurar entre si relações de solidariedade e colaboração, como convém em membros da única família humana: Os homens – sentenciou o Concílio Vaticano II – constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro gênero humano (At 17, 26); têm também todos um só fim último, Deus .

Família, sociedade e paz

2. A família natural, enquanto comunhão íntima de vida e de amor fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher, constitui o lugar primário da 'humanização' da pessoa e da sociedade, o berço da vida e do amor. Por isso, a família é justamente designada como a primeira sociedade natural, uma instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas, como protótipo de todo o ordenamento social.

3. Com efeito, numa vida familiar experimentam-se algumas componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade manifestada pelos pais, o serviço carinhoso aos membros mais débeis porque pequenos, doentes ou idosos, a mútua ajuda nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, perdoar-lhe. Por isso, a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz. Não admira, pois, que a violência, quando perpetrada em família, seja sentida como particularmente intolerável. Deste modo, quando se diz que a família é a primeira célula vital da sociedade, afirma-se algo de essencial. A família é fundamento da sociedade inclusivamente porque permite fazer decisivas experiências de paz. Devido a isso, a comunidade humana não pode prescindir do serviço que a família realiza. Onde poderá o ser humano em formação aprender melhor a apreciar o sabor genuíno da paz do que no ninho primordial que a natureza lhe prepara? A linguagem familiar usa um léxico de paz; aqui é necessário recorrer sempre para não perder o uso do vocabulário da paz. Na inflação das linguagens, a sociedade não pode perder a referência àquela gramática que cada criança aprende dos gestos e olhares da mãe e do pai, antes mesmo das suas palavras.

4. Uma vez que a família tem o dever de educar os seus membros, a mesma é titular de direitos específicos. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, que constitui uma aquisição de civilização jurídica de valor verdadeiramente universal, afirma que a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito a ser protegida pela sociedade e pelo Estado. Por seu lado, a Santa Sé quis reconhecer uma especial dignidade jurídica à família, publicando a Carta dos Direitos da Família. Lê-se no Preâmbulo: Os direitos da pessoa, ainda que expressos como direitos do indivíduo, têm uma dimensão social fundamental, que encontra na família a sua expressão originária e vital. Os direitos enunciados na Carta são expressão e explicitação da lei natural, inscrita no coração do ser humano e que lhe é manifestada pela razão. A negação ou mesmo a restrição dos direitos da família, obscurecendo a verdade sobre o homem, ameaça os próprios alicerces da paz.

5. Deste modo quem, mesmo inconscientemente, combate o instituto familiar, debilita a paz na comunidade inteira, nacional e internacional, porque enfraquece aquela que é efetivamente a principal agência de paz. Este é um ponto que merece especial reflexão: tudo o que contribui para debilitar a família fundada sobre o matrimônio de um homem e uma mulher, aquilo que direta ou indiretamente refreia a sua abertura ao acolhimento responsável de uma nova vida, o que dificulta o seu direito de ser a primeira responsável pela educação dos filhos, constitui um impedimento objetivo no caminho da paz. A família tem necessidade da casa, do emprego ou do justo reconhecimento da atividade doméstica dos pais, da escola para os filhos, de assistência sanitária básica para todos. Quando a sociedade e a política não se empenham a ajudar a família nestes campos, privam-se de um recurso essencial ao serviço da paz. De forma particular os meios de comunicação social, pelas potencialidades educativas de que dispõem, têm uma responsabilidade especial de promover o respeito pela família, de ilustrar as suas expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência a sua beleza.

A humanidade é uma grande família

6. A própria comunidade social, para viver em paz, é chamada a inspirar-se nos valores por que se rege a comunidade familiar. Isto vale tanto para as comunidades locais como nacionais; mais, vale para a própria comunidade dos povos, para a família humana que vive nesta casa comum que é a terra. Numa tal perspectiva, porém, não se pode esquecer que a família nasce do sim responsável e definitivo de um homem e de uma mulher e vive do sim consciente dos filhos que pouco a pouco entram a fazer parte dela. Para prosperar, a comunidade familiar tem necessidade do consenso generoso de todos os seus membros. É preciso que esta consciência se torne convicção partilhada também por quantos são chamados a formar a família humana comum. É necessário saber dizer o sim pessoal a esta vocação que Deus inscreveu na nossa própria natureza. Não vivemos uns ao lado dos outros por acaso; estamos percorrendo todos um mesmo caminho como homens e por isso como irmãos e irmãs. Desta forma, é essencial que cada um se empenhe por viver a própria vida em atitude de responsabilidade diante de Deus, reconhecendo n'Ele a fonte originária da existência própria e alheia. É subindo até este Princípio supremo que se pode perceber o valor incondicional de todo o ser humano, colocando as premissas para a edificação duma humanidade pacificada. Sem este Fundamento transcendente, a sociedade é apenas uma agregação de vizinhos, e não uma comunidade de irmãs e irmãos chamados a formar uma grande família.

Família, comunidade humana e ambiente

7. A família precisa duma casa, dum ambiente à sua medida onde tecer as próprias relações. No caso da família humana, esta casa é a terra, o ambiente que Deus criador nos deu para que o habitássemos com criatividade e responsabilidade. Devemos cuidar do ambiente: este foi confiado ao homem, para que o guarde e cultive com liberdade responsável, tendo sempre como critério orientador o bem de todos. Obviamente, o ser humano tem um primado de valor sobre toda a criação. Respeitar o ambiente não significa considerar a natureza material ou animal mais importante do que o homem; quer dizer antes não a considerar egoisticamente à completa disposição dos próprios interesses, porque as gerações futuras também têm o direito de beneficiar da criação, exprimindo nela a mesma liberdade responsável que reivindicamos para nós.

Nem se hão-de esquecer os pobres, em muitos casos excluídos do destino universal dos bens da criação. Atualmente a humanidade teme pelo futuro equilíbrio ecológico. Será bom que as avaliações a este respeito se façam com prudência, no diálogo entre peritos e cientistas, sem acelerações ideológicas para conclusões apressadas e sobretudo pondo-se conjuntamente de acordo sobre um modelo de progresso sustentável, que garanta o bem-estar de todos no respeito dos equilíbrios ecológicos. Se a tutela do ambiente comporta os seus custos, estes devem ser distribuídos com justiça tendo em conta a disparidade de desenvolvimento dos vários países e a solidariedade com as futuras gerações. Prudência não significa deixar de assumir as próprias responsabilidades e adiar as decisões; significa antes assumir o empenho de decidir juntos depois de ter ponderado responsavelmente qual a estrada a percorrer, com o objetivo de reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho.

8. A tal propósito, é fundamental sentir a terra como nossa casa comum e escolher, para uma gestão da mesma ao serviço de todos, a estrada do diálogo em vez de decisões unilaterais. Podem-se aumentar, se for necessário, os lugares institucionais a nível internacional, para se enfrentar conjuntamente o governo desta nossa casa; mas, o que mais conta é fazer maturar nas consciências a convicção da necessidade de colaborar responsavelmente. Os problemas que se desenham no horizonte são complexos e o tempo escasseia. Para fazer frente de maneira eficaz à situação, é preciso agir de comum acordo. Um âmbito onde seria particularmente necessário intensificar o diálogo entre as nações é o da gestão dos recursos energéticos do planeta. A tal respeito, uma dupla urgência preme sobre os países tecnologicamente avançados: é preciso, por um lado, rever os elevados níveis de consumo devido ao modelo atual de progresso e, por outro, providenciar adequados investimentos para a diferenciação das fontes de energia e o melhoramento da sua utilização. Os países emergentes sentem carência de energia, mas às vezes esta carência é remediada prejudicando os países pobres, que, pela insuficiência das suas infra-estruturas nomeadamente tecnológicas, se vêem obrigados a vender ao desbarato os recursos energéticos em seu poder. Às vezes a sua própria liberdade política é posta em discussão por formas de protetorado ou, em todo o caso, de condicionamento que resultam claramente humilhantes.

Família, comunidade humana e economia

9. Condição essencial para a paz nas famílias é que estas assentem sobre o alicerce firme de valores espirituais e éticos compartilhados. No entanto, é preciso acrescentar que a família experimenta autenticamente a paz quando a ninguém falta o necessário, e o patrimônio familiar – fruto do trabalho de alguns, da poupança de outros e da colaboração ativa de todos – é bem gerido na solidariedade, sem excessos nem desperdício. Para a paz familiar, portanto, é necessária a abertura a um patrimônio transcendente de valores, mas, simultaneamente, há que não menosprezar a sapiente gestão quer dos bens materiais quer das relações entre as pessoas. O falimento desta componente tem como conseqüência a quebra da confiança recíproca devido às perspectivas incertas que passam a gravar sobre o futuro do núcleo familiar.

10. O mesmo se diga daquela grande família que é a humanidade no seu todo. De fato a família humana, que hoje aparece ainda mais interligada pelo fenômeno da globalização, além de um alicerce de valores compartilhados tem necessidade também de uma economia que corresponda verdadeiramente às exigências de um bem comum com dimensões planetárias. A referência à família natural revela-se, sob este ponto de vista também, singularmente sugestiva. Entre os indivíduos humanos e entre os povos, é preciso promover relações corretas e sinceras, que permitam a todos colaborarem num plano de paridade e justiça. Ao mesmo tempo, tem-se de trabalhar por uma sábia utilização dos recursos e uma eqüitativa distribuição da riqueza. De forma particular, as ajudas concedidas aos países pobres devem obedecer a critérios duma lógica econômica sã, evitando desperdícios que no fim de contas resultam sobretudo do funcionamento de custosos aparelhos burocráticos. É preciso ter em devida conta também a exigência moral de fazer com que a organização econômica não obedeça somente às duras leis do lucro imediato, que se podem revelar desumanas.

Família, comunidade humana e lei moral

11. Uma família vive em paz, se todos os seus componentes se sujeitam a uma norma comum: é esta que impede o individualismo egoísta e que mantém unidos os indivíduos, favorecendo a sua coexistência harmoniosa e laboriosidade para o fim comum. Tal critério, em si óbvio, vale também para as comunidades mais amplas: desde as locais passando pelas nacionais, até à própria comunidade internacional. Para se gozar de paz, há necessidade duma lei comum que ajude a liberdade a ser verdadeiramente tal, e não um arbítrio cego, e que proteja o fraco da prepotência do mais forte. Na família dos povos, verificam-se muitos comportamentos arbitrários, seja dentro dos diversos Estados seja nas relações destes entre si. Além disso, não faltam situações em que o fraco tem de inclinar a cabeça não frente às exigências da justiça mas à força nua e crua de quem possui mais meios do que ele. É preciso repeti-lo: a força há de ser sempre disciplinada pela lei, e isto mesmo deve acontecer também nas relações entre Estados soberanos.

12. Sobre a natureza e a função da lei, já muitas vezes se pronunciou a Igreja: a norma jurídica que regula as relações das pessoas entre si, disciplinando os comportamentos externos e prevendo também sanções para os transgressores, tem como critério a norma moral assente na natureza das coisas. A razão humana, por sua vez, é capaz de discerni-la, pelo menos nas suas exigências fundamentais, subindo assim até à Razão criadora de Deus que está na origem de todas as coisas. Esta norma moral deve regular as opções das consciências e guiar todos os comportamentos dos seres humanos. Existirão normas jurídicas para as relações entre as nações que formam a família humana? E, se existem, serão operativas? Eis a resposta: sim, as normas existem, mas para fazer com que sejam verdadeiramente operativas é preciso subir até à norma moral natural como base da norma jurídica; de contrário, esta fica à mercê de frágeis e provisórios consensos.

13. O conhecimento da norma moral natural não está vedado ao homem que entre em si mesmo e, tendo diante dos olhos o próprio destino, se interrogue sobre a lógica interna das mais profundas inclinações presentes no seu ser. Embora com perplexidades e incertezas, ele pode chegar a descobrir, pelo menos nas suas linhas essenciais, esta lei moral comum que, independentemente das diferenças culturais, permite aos seres humanos entenderem-se entre si quanto aos aspectos mais importantes do bem e do mal, do justo e do injusto. É imprescindível subir até esta lei fundamental, empenhando nesta pesquisa as nossas melhores energias intelectuais sem deixar-se desanimar por equívocos nem confusões. Com efeito, valores radicados na lei natural estão presentes, ainda que de forma fragmentária e nem sempre coerente, nos acordos internacionais, nas formas de autoridade universalmente reconhecidas, nos princípios do direito humanitário recebido nas legislações dos diversos Estados ou nos estatutos dos organismos internacionais. A humanidade não está sem lei. É urgente, porém, prosseguir o diálogo sobre estes temas, favorecendo a convergência das próprias legislações dos diversos Estados sobre o reconhecimento dos direitos humanos fundamentais. O crescimento da cultura jurídica no mundo depende, para além do mais, do esforço de tornar as normas internacionais sempre substanciosas de conteúdo profundamente humano, para evitar a sua redução a procedimentos facilmente contornáveis por motivos egoístas ou ideológicos.

Superação dos conflitos e desarmamento

14. A humanidade vive hoje, infelizmente, grandes divisões e fortes conflitos que lançam densas sombras sobre o seu futuro. Temos vastas áreas do planeta envolvidas em tensões crescentes, enquanto o perigo de se multiplicarem os países detentores de armas nucleares cria motivadas apreensões em toda a pessoa responsável. Há ainda muitas guerras civis no continente africano, embora também se tenham registrado em vários dos seus países progressos na liberdade e na democracia. O Médio Oriente continua a ser teatro de conflitos e atentados, que não deixam de influenciar nações e regiões limítrofes com o risco de arrastá-las na espiral da violência.

A nível mais geral, há que registrar, com tristeza, um número maior de Estados envolvidos na corrida aos armamentos: temos até nações em vias de desenvolvimento que destinam uma quota importante do seu magro produto interno para a compra de armas. Neste funesto comércio, são muitas as responsabilidades: há os países do mundo industrialmente desenvolvido que arrecadam avultados lucros da venda de armas e temos as oligarquias reinantes em muitos países pobres que pretendem reforçar a sua posição com a aquisição de armas cada vez mais sofisticadas. Em tempos tão difíceis, é verdadeiramente necessária a mobilização de todas as pessoas de boa vontade para se encontrar acordos concretos que visem uma eficaz desmilitarização, sobretudo no campo das armas nucleares. Nesta fase em que o processo de não proliferação nuclear marca passo, sinto-me no dever de exortar as Autoridades a retomarem, com mais firme determinação, as conversações em ordem ao desmantelamento progressivo e concordado das armas nucleares existentes. Ao renovar este apelo, sei que dou voz a um desejo compartilhado por quantos têm a peito o futuro da humanidade.

15. Há sessenta anos, a Organização das Nações Unidas tornava pública, de maneira solene, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948-2008). Com tal documento, a família humana reagia aos horrores da II Guerra Mundial, reconhecendo a sua própria unidade assente na igual dignidade de todos os homens e pondo, no centro da convivência humana, o respeito pelos direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos: tratou-se de um passo decisivo no árduo e empenhativo caminho da concórdia e da paz. Merece também menção especial a passagem do 25º aniversário da adoção pela Santa Sé da Carta dos Direitos da Família (1983-2008), bem como o 40º aniversário da celebração do primeiro Dia Mundial da Paz (1968-2008). Fruto duma providencial intuição do Papa Paulo VI, retomada com grande convicção pelo meu amado e venerado predecessor, Papa João Paulo II, a celebração deste Dia proporcionou ao longo dos anos a possibilidade de a Igreja desenvolver, através das Mensagens publicadas para tal circunstância, uma doutrina elucidativa em defesa deste bem humano fundamental.

É precisamente à luz de tais significativas comemorações que convido todo o homem e toda a mulher a tomarem consciência mais lúcida da sua pertença comum à única família humana e a empenharem-se por que a convivência sobre a terra espelhe cada vez mais esta convicção da qual depende a instauração de uma paz verdadeira e duradoura. Em seguida, convido os crentes a implorarem de Deus, sem se cansar, o grande dom da paz. Os cristãos, por seu lado, sabem que podem confiar-se à intercessão d'Aquela que, sendo Mãe do Filho de Deus encarnado para a salvação da humanidade inteira, é Mãe comum.

A todos desejo um Ano Novo feliz!

Vaticano, 8 de dezembro de 2007

Papa Bento XVI

 

 

CONVITE - II Semana da Pessoa Idosa, de 24 a 27 de setembro

A Pastoral do Idoso da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, coordenada pela casal Rômulo e Isabel, promoverá a II Semana da Pessoa Idosa, com o tema Carinho não tem Idade; Uma Ação Cidadã, entre os dias 24 a 27 de setembro, no salão paroquial da Matriz.

PROGRAMAÇÃO

24 de setembro

15h - Abertura - Rômulo e Isabel
15h10min - Apresentação do Coral da 3ª Idade / SESC-PI
16h - Lanche
16h30min - Palestra: Envelhecimento Ativo
Palestrante:
Cristino Oliveira - Coordenador da 3ª Idade / SESC-PI
17h - Palestra: 3ª Idade tem Direito
Palestante: Marcos Solemar

25 de setembro

15h - Abertura - Valdir e Irene apresentam o Grupo de Teatro e Artes Mirim Sonho Azul, do Monte Castelo
15h10min - Palestra: Cura pela Fé
Palestrante: Valdivino Pires
16h - Lanche
16h30 min - Palestra: Oração - O Caminho da Fé
Palestrante: Fábio Carvalho

26 de setembro

15h - Abertura com Ramiro e Sandra
15h10min - Palestra: Sorrir faz bem
Palestrantes: Rivaldo e Sandra
15h40min - Apresentação das idosas da Nossa Casa e da Pastoral do Idoso
16h - Lanche
16h30min - Show de humor

27 de setembro

15h - Abertura com Gonçalo e Góes
15h10min - Palestra: Vida Saudável e Ergonomia na 3ª Idade
Palestrantes: Jandira, Socorro e Arlene
16h - Lanche
16h20min - Palestra: Coração bate feliz quando se é feliz
Palestrante: Carlos Alberto Linhares
18h - Missa na Matriz


 

CONVITE - Arraiá do Seu Tunico

O nosso "irmão mais velho", Pe. Tony Batista, comemorará o seu aniversário no Arraiá do Seu Tonico. A festa, que acontece há 27 anos, foi uma iniciativa de paroquianos(as) que procurou reunir as pessoas que desejavam homenagear, em separado, o querido pároco de Fátima, que completa anos no dia 28 de junho. Com o passar dos anos, a organização do evento aprimorou-se e, atualmente, a festa ajuda a manter alguns serviços da Paróquia. São vendidas nas barracas comidas típicas, bolos, churrasquinhos e refrigerantes. Participem da nossa alegria no dia 30 de junho, na AABB! Quadrilhas e brincadeiras esperam você e sua família!!



CONVITE - Mística no Matrimônio

Uma palestra sobre a Mística no Matrimônio, que será proferida pelo Pe. Tony Batista, acontecerá no dia 22 de junho, às 19h30min, no Salão Paroquial de Fátima. A Pastoral Familiar, responsável pelo momento, está convidando os casais, noivos, jovens e adultos, famílias ampliadas, agentes pastorais e todos aqueles(as) que se interessem em entender e assimilar para a vida, a importância da espiritualidade na contrução da felicidade com o(a) outro(a) e com Deus. Participem!!




31.03.07 - Sábado - Noite: Vigília
19h - Bênção, Procissão de Ramos e Santa Missa , na Igreja de Santo Antônio - Ininga.

01.04.07 - Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
08h - Bênção e Procissão de Ramos, Praça Dom Avelar. Santa Missa na Matriz de
Nossa Senhora de Fátima
10h - Bênção, Procissão de Ramos e Santa Missa, na Igreja do Sagrado Coração de
Jesus - Alto da Graça
17h - Bênção, Procissão de Ramos e Santa Missa, na Igreja de Nossa Senhora da
Glória - Planalto Ininga
17h - Bênção, Procissão de Ramos e Santa Missa, no Lar de Misericórdia
19h - Santa Missa com entrada solene na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima

02.04.07 - Segunda-feira da Semana Santa
19h - Dia de Retiro para o clero e Santa Missa do Crsima, na Catedral de Nossa
Senhora das Dores

03.04.07 - Terça-feira da Semana Santa
08h - Manhã de confissões na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
15h - Tarde de confissões na Igreja de Santo Antônio - Ininga
18h - Santa Missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima

04.04.07 - Quarta-feira da Semana Santa
08h - Manhã de confissões na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima e na Igreja
de Nossa Senhora da Glória - Planalto
18h - Santa Missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima

05.04.07 - Quinta-feira Santa da Ceia do Senhor
10h - Confissões para jovens na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
19h - Santa Missa da CEIA DO SENHOR, Lava-pés e adoração do Santíssimo
Sacramento até à meia-noite, na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima

06.04.07 - Sexta-feira Santa
10h - Confissões (para adultos) na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
15h - Celebração da Paixão do Senhor:
-Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
-Igreja de Nossa Senhora da Glória, Planalto
-Igreja de Santo Antônio, Ininga
20h - Via Sacra pela Av. Nossa Senhora de Fátima

07.04.07 - Sábado Santo (O Grande Silêncio)
19h - Solene Vigília Pascal na Igreja de Santo Antônio, Ininga
21h - Solene Vigília Pascal na Igreja de Nossa Senhora da Glória, Planalto
22h - Solene Vigília Pascal na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima
(Em todas as comunidades teremos celebração batismal, renovação das promessas,
do Batismo e Liturgia Eucarística. Todos devem trazer a sua vela)

08.04.07 - Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor
10h - Santa Missa Solene na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Alto da Graça
17h - Santa Missa Solene na Igreja de Nossa Senhora da Glória, Planalto
17h - Santa Missa Solene no Lar da Misericórdia
19h- Santa Missa Solene na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima






A Escola da Fé Santa Edith Stein, da Paróquia de Fátima, funciona às segundas-feiras, das 19h às 21h30, oferecendo Curso de Teologia para Leigos, em quatro anos, com o seguinte conteúdo: 1º ano - Bíblia (AT e NT), 2º e 3º anos - Catecismo da Igreja Católica e, no 4º ano, os seguintes temas: Cristologia (março), Eclesiologia(abril), Mariologia(maio), Liturgia(junho), Teologia Moral(agosto), Doutrina Social da Igreja(setembro), História da Igreja(outubro) e Antropologia Teológica(novembro). Os temas oferecidos no 4º ano, relacionados à fé cristã, serão abertos à comunidade.

O curso terá início com a SEMANA DE FILOSOFIA, que é uma atividade para os alunos da Escola da Fé e aberta à participação da comunidade.

A programação da 1ª SEMANA DE FILOSOFIA, que acontecerá entre os dias 26 de fevereiro a 2 de março, sempre das 19h às 21h30, é a seguinte:

Dia 26/02
Abertura / Oração Inicial / Acolhimento aos participantes / Inscrição para minicursos
Conferência 1 - Filosofia, do assombro ao maravilhamento
Conferencista: Especialista Fábio Carvalho Fernandes
Debate
Momento cultural: Encantamento com a poesia

Dia 27/02
Acolhimento / Oração Inicial
Minicurso
Serão oferecidos os minicursos: Lógica e o Pensamento, Reflexões sobre a morte e o
morrer
, Bioética: resposta para os novos tempos?, A questão de Deus na filosofia de
René Descartes
.
Momento cultural: Representando a vida (teatro)

Dia 28/02
Acolhimento / Oração Inicial / Inscrições para filmes
Conferência 2 - Filosofia, a arte de pensar e o exercício do senso crítico
Conferencista: Dr. Gerson Albuquerque de Araújo Neto
Debate
Momento cultural: Dançando a vida
Apresentação musical - MPB

Dia 01/03
Acolhimento / Oração Inicial
Vídeo-debate
Serão exibidos os filmes: Crash - No limite, Zuzu Angel, A Sétima Morada, Casa de
Areia e Névoa
, O Mercador de Veneza.

Dia 02/03
Acolhimento / Oração Inicial
Conferência 3 - A razão e a fé no pensamento do Papa João Paulo II
Conferencista: Dom Celso José Pinto da Silva
Debate
Momento cultural: Cantando a vida
Apresentação musical - MPB

 

 

 


Informações sobre CF-2007, clicar aqui!

FRATERNIDADE E AMAZÔNIA
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

A Amazônia será tema da Campanha da Fraternidade em 2007, com o lema: “vida e missão neste chão”.

Em 2002, a CNBB constituiu a Comissão Episcopal para a Amazônia com o objetivo de ajudar toda a Igreja no Brasil a voltar os olhos para a Amazônia e a tomar consciência dos grandes desafios da evangelização naquela região. A escolha do tema “Fraternidade e Amazônia” é expressão da mesma preocupação pastoral do episcopado; a Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser uma ocasião privilegiada para que também todo o Brasil tome consciência mais aprofundada sobre a complexa problemática da Amazônia e se volte para lá com políticas e iniciativas eficazes.

Ao falar em Amazônia, vem imediatamente à memória a preocupante questão ambiental: grandes rios e florestas imensas, devastação do verde e ameaça à riquíssima biodiversidade. Acompanhamos com apreensão a ocupação, muitas vezes predatória, das terras amazônicas, sem que seu complexo e delicado eco-sistema seja respeitado. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam seriamente esse patrimônio natural, que não é somente dos brasileiros; a devastação da Amazônia configura-se como uma perda e uma ameaça para toda a humanidade.

Amazônia também faz pensar em questões sociais e antropológicas: indígenas perturbados e agredidos em suas culturas; esvaziamento do território, já tão pouco povoado, crescimento caótico dos centros urbanos; ocupação de vastas áreas com projetos agropecuários, conflitos pela ocupação e posse das terras. O impacto da urbanização, da economia e da cultura globalizadas sobre as populações locais gera migrações, desenraizamento social, cultural e religioso; no coração da Amazônia, e não apenas na área de Manaus, apresentam-se os problemas sociais típicos de áreas metropolitanas e industriais do centro-sul do País: falta de infra-estrutura e de serviços públicos nas novas áreas de povoamento e nas explosivas realidades urbanas, desemprego, violência e degradação dos costumes.

A Amazônia, além disso, representa para a Igreja um conjunto de desafios novos postos à sua ação evangelizadora. As migrações levaram para a Amazônia centenas de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil; sugiram novas áreas de povoamento, que necessitam de assistência religiosa às populações e de estruturas de vida eclesial. As dioceses e prelazias daquela região, no passado, eram geralmente socorridas por missionários estrangeiros, que as serviam com recursos humanos e materiais vindos de fora do País; hoje essas forças ficaram drasticamente reduzidas e as Igrejas da Amazônia ainda não estão em condições de enfrentar sozinhas a sua imensa tarefa evangelizadora.

Como atender adequadamente as comunidades católicas esparsas pelo vasto território? A ação intensa de grupos religiosos não-católicos está questionando seriamente a capacidade e a agilidade de nossa Igreja católica em atender devidamente às necessidades religiosas dos seus próprios fiéis. Chegou a hora de uma grande ação solidária de toda a Igreja no Brasil para a evangelização da região amazônica. O apoio e o revigoramento daquela Igreja local tornou-se urgente e requer a ajuda de voluntários e missionários das outras regiões do País, além de recursos econômicos e logísticos.

“Vida e missão nesse chão”. A Igreja católica esteve presente no meio dos povos amazônicos desde o início da evangelização do Brasil e quer agora aprofundar sua presença e ação no meio deles. O lema aponta para os objetivos e a dupla preocupação da Campanha da Fraternidade de 2007. De um lado, fraternidade efetiva e corresponsabilidade na defesa e promoção da vida, que se manifesta de maneiras tão exuberantes e de tantos modos na Amazônia; por outro lado, fraternidade em relação à Igreja local, com todas as suas organizações e expressões, para que ela esteja em condições de assumir sua missão de anunciar o Evangelho da vida e da esperança aos povos amazônicos.

A CF de 2007 poderá ser um grande momento para trazer a Amazônia para dentro do coração da Igreja no Brasil e de todos os brasileiros; será ocasião também para suscitar iniciativas e ações eficazes de valorização e defesa daquela vasta e ameaçada região brasileira. Antes que seja tarde demais.

 



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Conferência de Aparecida: A voz de Deus na voz dos tempos

D.Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de S.Paulo
Secretário Geral da CNBB

Faltam apenas poucos meses para o início Conferência Geral de Aparecida. De 13 a 31 de Maio de 2007, as atenções do Brasil e do continente Latino-Americano estarão voltadas para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a casa da Mãe da Igreja, que abrigará a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. Será um momento histórico para Aparecida e para a Igreja no Brasil. Como se recordam hoje as Conferências de Medellín, Puebla e Santo Domingo, no futuro se falará também da Conferência de Aparecida.

A fase preparatória vai adiantada. Após um ano de reflexão sobre o tema da Conferência “na base”da Igreja, tendo como referência o Documento de Participação, foram enviadas numerosas contribuições por todas as Conferências Episcopais do Continente à Comissão Central de preparação da V Conferência, no CELAM, que está preparando o Documento de Síntese. Deverá ficar pronto em fevereiro ou, no mais tardar, em março, para ser colocado nas mãos dos Delegados da Conferência, assim como do público interessado.

Enquanto isso, no dia 12 de dezembro de 2006, o papa Bento XVI, ao mesmo tempo que confirmava o tema, a data e o lugar da V Conferência, já nomeou três Presidentes, um Secretário-Geral e um Secretário-Geral Adjunto, para coordenarem a organização e os trabalhos da Conferência de Aparecida. Falta ainda convocar os membros e os convidados da grande reunião eclesial, o quê deverá acontecer em breve. Em Aparecida, a preparação do local, da hospedagem e de toda a logística da Conferência também já vai adiantada.

Importa agora intensificar a preparação próxima, através de estudos sobre o levantamento da realidade brasileira e latino-americana e da reflexão teológica sobre os diversos enfoques da temática da Conferência. Os Delegados escolhidos pelas Conferências Episcopais, nesta fase, estão diante da responsabilidade de “auscultar” a voz das Igrejas locais que os escolheram para representá-las. Quais serão suas contribuições para o bom fruto da Conferência? Quais serão suas contribuições e o quê eles dirão em Aparecida? Cabe a eles fazer um discernimento sobre a realidade de seus povos e de suas Igrejas locais, ouvindo “o que o Espírito diz às Igrejas” através voz do povo e das circunstâncias...

Certamente, não deverá faltar a oração, pois se trata de um evento eclesial da maior relevância. A oração da V Conferência é bonita e apropriada para isso. Mas também outros exercícios de piedade são desejados, como o santo rosário e as peregrinações aos santuários marianos, ou as pregações por ocasião das festas patronais das comunidades. A Conferência de Aparecida deverá indicar rumos para a vida e o trabalho da Igreja nos próximos anos. Não se trata apenas de um projeto humano, mas estão envolvidos o desígnio e a obra de Deus. Por isso mesmo, agora é tempo de intensa invocação do Espírito Santo, para que ilumine os trabalhos da Conferência de Aparecida e renove a face da terra e da Igreja Latino-Americana.

“Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida. Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, este é o tema da 5a. Conferência Geral, escolhido pelo Papa Bento XVI. Se é verdade que os povos da América Latina reconhecem, em geral, grande credibilidade à Igreja, também é fácil concluir que olham para ela com a ansiosa esperança de receber luzes e impulsos para sua história, para a superação de seus problemas e para terem “vida em abundância”. Esta é uma grande responsabilidade, mas também uma grande oportunidade para que a Igreja cumpra bem a missão que lhe foi confiada por Jesus Cristo.