PARÓQUIA E O BAIRRO DE FÁTIMA
Em um novo espaço, ainda com muito mato e poucos fiéis, em terras além de travessia do rio Poti, uma nova capelinha, simples, pequena, de palha, foi erguida em honra a Nossa Senhora de Fátima.
O Nascimento da Igreja
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| Pe. Isidoro - outubro de 1957 |
Inspirados pela visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima
que esteve em Teresina, vinda de Portugal, no ano 1953, os moradores da área que atualmente forma o bairro de Fátima se uniram para construir uma capela em sua homenagem. Ali, oravam e faziam peregrinação, com uma réplica da imagem de Fátima, rezando o terço nas
poucas residências então ali existentes. Lá pelos anos de 1955 ou 1956, uma vez por mês, o padre Isidoro Pires de Souza, então ecônomo do Seminário Menor e promotor vocacional da Arquidiocese, celebrava missas nessa capela, passando também a organizar as primeiras aulas de catecismo para as crianças.
E foi assim que, um século depois do nascimento de Teresina, outra semente de fé surgiu como uma nova esperança de dias melhores.
Em 05 de maio de 1956, chega à Arquidiocese de Teresina o seu segundo Arcebispo: Dom Avelar Brandão Vilela, alagoano de Viçosa, transferido da Diocese de Petrolina, em Pernambuco, que inicia, com vigor, um novo modo de evangelização. Com o Iema “Evangelizar e Humanizar”, Dom Avelar faz a Igreja e a Cidade ganharem um dinamismo diferente. Dedicando-se com muito zelo ao trabalho de amparo e assistência aos mais empobrecidos, passou a promover uma ação social vigorosa, imprimindo um cunho também social ao processo de evangelização na sua Arquidiocese. E foi assim, fortalecendo a ação evangelizadora e social da Igreja de Teresina, que a Igreja católica logo chegou a essa área, ainda suburbana, que, mais tarde, seria o bairro e a Paróquia de Fátima.
A fé da população desse novo espaço que, aos poucos ia se urbanizando, chamou a atenção do novo Arcebispo que a incluiu em suas visitas de pastor, como sempre fazia em todos os bairros, passando a dar grande apoio a essa população devota de Nossa Senhora de Fátima. E logo no ano seguinte à sua chegada a Teresina, em 1957, nomeou o Pe. Isidoro Pires, Assistente Eclesiástico de Fátima, o qual passou a celebrar missas regularmente nessa capela, com a assistência do próprio D. Avelar.
Durante os períodos de novenas no mês de maio, o Arcebispo também apoiava a realização dos festejos, estimulando e promovendo formas de angariar recursos para a construção do prédio da Igreja. Antes da chegada da energia elétrica, o Pe. Isidoro tomava emprestado um transformador, na Escola Agrícola, ligava-o à bateria do seu carro “aero wilys” e assim iluminava a festa em Fátima.
Os leilões eram realizados com grande animação, atraindo muitas pessoas do centro da cidade e de outros bairros, entre elas, as mais diversas autoridades locais, além dos novos moradores da área, cada um dando a sua colaboração da forma que era possível.
Em tom profético, o Pe. Isidoro deixa o registro de seu modo de sentir a Igreja de Fátima, naquela época, com as seguintes palavras:
FÁTIMA – UMA ESPERANÇA |
Nem sei mais. Foi lá por 55 ou 56,
e aquele pedaço de chão era apenas uma terrinha cortada por largas derrubadas, mal sulcadas por estreitas trilhas. Uma casinha aqui e acolá, meio escondidas pela folhagem da galharia espessa. Crianças rajadas e seminuas acorriam atraídas pela explosão da motocicleta amarela. Apareceu, para surpresa do rabiscador destas linhas, a silhueta esguia de mulheres não estranhas. Logo um pedido: Padre, venha dar catecismo aqui. Há muitas crianças. A gente nem vai na missa porque é longe. Venha. |
Não se fez esperar a promessa. E o catecismo começou. Com um pedaço de trilho foi improvisado um sino. Mais tarde, uma missa por mês. Dom Avelar... missa dominical. E estava lançada a semente do evangelho nesta terrinha reservada à proteção da Virgem de Fátima. Uma capelinha tosca e desengonçada. Um posto médico. Um dentista. Uma pedra fundamental, e lá se foi.
Agora um big centro social e um bairro que cresce dia a dia. Uma gleba que se valoriza. Uma civilização que caminha. |
FÁTIMA, uma esperança de amanhã, com luz elétrica e autolotação, com sincera devoção à padroeira e com jogatina clandestina; com terços e bebedeira; com o mal que se apresenta de mil maneiras, tentando sempre anular o bem.
Sei que há eternos refractários, mas continuo a ver a grande esperança, sobretudo a grande esperança de que o bem é de si difuso e o mal por si mesmo se destrói.”
(Fonte: ASA, Boletim nº 1. Teresina, 1961.) |
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