O 2º Pároco
Antônio Soares Batista, filho de José Cruz Batista e Maria Soares Batista, conhecido como Pe. Tony Batista, é o segundo Pároco de Fátima. Nasceu a 28 de junho de 1946, na fazenda de seus pais, denominada “Ponte de Pedras”, no município de São Pedro do Piauí. Aprendeu a rezar no colo de sua mãe e ainda criança descobriu a sua vocação de pastor, tendo entrado para o Seminário Menor de Teresina em 1965.
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| Posse do Pe. Tony - momento de bondade por parte da comunidade |
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| Padre Tony Batista e Monsenhor Luís Soares |
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Como lembra Mons. Chaves, “os dons de comunicação e de liderança do Pe. Tony Batista já eram, naquela época, evidenciados e reconhecidos, logo chamando a atenção de D. Avelar”. Enviado em 1969 por esse Arcebispo para estudar no Seminário Central da Bahia, concluiu o Curso de Filosofia, que havia iniciado na Faculdade de Filosofia do Piauí, e de Teologia na Universidade Católica de Salvador.
Recebeu todos os ministérios na capela da residência do Cardeal da Bahia, no Campo Grande, em Salvador. Foi ordenado Diácono, em 08 de dezembro de 1973, por seu mestre, pastor e amigo, D. Avelar Brandão Vilela, numa celebração simples, na Capela das irmãs dos pobres de Santa Catarina de Sena, no bairro da Saúde, em Salvador. Após ter concluído seus estudos teológicos, retornou a Teresina, sendo ordenado Presbítero no dia 20 de fevereiro de 1974, na catedral de Nossa Senhora das Dores, pela imposição das mãos do então Arcebispo de Teresina, D. José Freire Falcão, no aniversário da criação da Diocese do Piauí.
Celebrou sua primeira missa na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, na Vermelha, bairro onde moravam seus parentes. Logo depois, assumiu a função de Coadjutor do Pároco da Catedral, o Pe. Luís Soares de Melo, que se ausentou de Teresina naquela época para fazer um curso no Rio de Janeiro. Mons. Luís Soares, atual Vigário Geral da Arquidiocese, tornou-se uma das principais referências na vida do Pe. Tony, que o tem como grande amigo e modelo de pastor.
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| Primeira Casa Paroquial |
O Pe. Tony, como é carinhosamente chamado pelos paroquianos, foi nomeado Pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em 20 de fevereiro de 1975 e permanece até hoje à frente dessa Paróquia. Ao assumir a Paróquia de Fátima, já encontrou o seu território em franco povoamento. Certamente, um grande desafio para um padre tão jovem, com exatamente um ano de ordenação, assumir a responsabilidade de conduzir uma grande Paróquia, numa sociedade com tantas desigualdades como a de Teresina. Todavia, com seu carisma pessoal, pela grande capacidade de comunicação, mobilização, trabalho, liderança e administração, a exemplo de D. Avelar, o Pe. Tony foi continuamente conquistando cada vez mais um maior número de fiéis para as suas celebrações. Conseguiu também a participação de todos nas diversas ações sociais que passou a dinamizar, mantendo e ampliando as obras sociais implantadas pelo saudoso Arcebispo de Teresina, D. Avelar.
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Pe. Tony e o Papa Paulo VI
Roma 1978 |
Quando Pe. Tony assumiu a Paróquia de Fátima, ela não dispunha de casa paroquial, de transporte, nem mesmo do mínimo necessário para a realização de sua missão pastoral. O novo pároco não encontrou uma única peça de paramento. A Igreja Matriz era um vão só, sem nenhuma janela ou portas laterais, não havia piso, bancos, nem altar. A sacristia não contava com uma única janela e não havia escritório de atendimento para o padre. Os morcegos e andorinhas eram os principais freqüentadores da Igreja. Como a Paróquia não dispunha de casa paroquial, Pe. Tony residia com o seu tio, Zuca Barradas, na Rua Olavo Bilac, ao lado do Colégio Diocesano e tomava o ônibus todos os dias para poder cumprir suas responsabilidades, agora como pároco. Não demorou muito, Dom Falcão conseguiu, através de um projeto da Adveniat, um transporte para ele, era um fusquinha que ele mesmo batizou de Oxumaré, para recordar-se sempre da terra que o marcou, Salvador. Os primeiros bens adquiridos pelo Pe. Tony foram 2 copos de propaganda do Supermercado Compre Bem e uma bilha de barro, comprada no mercado central de
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Pe. Tony Batista e Madre Teresa
Roma 1978 |
Teresina, pela senhora Janete Zarrar, moradora da Av. Nossa Senhora de Fátima. Como foi sempre muito apressado em tudo, Pe. Tony não se conformava em não residir na sua paróquia e por isso ficava sempre reivindicando ao Vigário Geral da época, Mons. Mateus, uma casa paroquial. Tendo sido desocupada uma casinha da Diocese, ao lado do restaurante Beliscão, Mons. Mateus colocou-a à disposição da Paróquia. Logo um grupo de amigos fez pequena reforma na casa, deixando-a em condições para a residência do padre. O grupo de senhora começou uma campanha (a primeira da Paróquia) para colocar na Casa Paroquial o mínimo necessário para que o padre tivesse uma vida digna. As senhoras eram as seguintes: Idelzuite Freire, Beatriz Madeira Campos, Guiomar Carvalho, Alzira Rio Lima e muitas outras. Elas equiparam a nova casa paroquial com o necessário para o seu funcionamento. Um grupo de amigos do Pe. Tony, vindos da Catedral, Bel Paiva, Celinha, Graça Carvalho, Célia Barradas e outros adquiriram para a paróquia pequenas peças, sobretudo paramentos, ventiladores, copos, etc. Foi um momento muito bonito, ocasião em que o padre começou a sentir as novas lideranças da sua paróquia. Foram momentos de graça. Hoje, quando vemos a Paróquia tendo tudo o que necessita, até com um conforto, é preciso lembrar que nada caiu dos céus, e que foi tudo adquirido graças aos sacrifícios iniciais, das primeiras lideranças que tanto trabalharam e sofreram. Hoje agradecemos ao Senhor os frutos desse inestimável trabalho comunitário.
Quando a casa ficou em condições de moradia e as senhoras conseguiram os móveis necessários, Pe. Tony passou a residir na Paróquia, bem próximo da Igreja, onde hoje funciona a casa de evangelização Santa Teresinha. Como seus pais moravam em outro município, sua sobrinha Luisa Maria (Isa) dedicou-se a organizar o lar do padre durante muitos anos, até se casar. Desde o início, Pe. Tony foi muito bem acolhido pelas famílias da Paróquia, entre elas estava a de Elício e Cacilda Terto, que, carinhosamente o recebia em sua casa nos momentos de intervalo de suas atividades, tendo um quarto preparado especialmente para ele repousar. Essas são lembranças de D. Cacilda, hoje uma das Ministras da Eucaristia, que ainda guarda, com saudades, e muita emoção em seu coração de mãe.
A primeira casa paroquial, na Praça de Fátima, era muito pequena e sem nenhum conforto. Com a volta para Limoeiro do Norte dos parentes de D. Falcão, a Diocese adquiriu a casa por eles deixada, na avenida Nossa Senhora de Fátima, 979, onde hoje está o curso de idiomas Wizard. O próprio Pe. Tony procurou terminar a casa e deixá-la em condições de habitação. Agora é uma residência boa, grande e confortável.
Depois de dois anos à frente da Paróquia, Pe. Tony foi escolhido pelo Arcebispo para fazer mestrado em Roma, Itália, onde passou dois anos cursando Mestrado em Espiritualidade, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, no período de 1977 a 1979. No seu lugar ficou o
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| Imagem de Nossa Senhora de Fátima - a original (restaurada) que o padre encontrou quando assumiu a Paróquia |
Pe. Matusalém Souza, que o substituiu, com muito zelo, nos trabalhos da Paróquia. De volta a Teresina, em setembro de 1979, Pe. Tony reassume a paróquia e continuando à sua frente até hoje, ausentando-se somente por um período significativo no ano de 1988, quando viajou para o Chile, onde fez um curso de especialização em Comunicação, na Pontifícia Universidade Católica de Santiago.
Devido ao barulho da avenida Nossa Senhora de Fátima e à falta de privacidade, Pe. Tony adquiriu um terreno e, com a colaboração de amigos, construiu a sua casa, no bairro do Alto da Graça, onde reside até hoje. Essa casa foi um presente dos seus amigos que se cotizaram e a construíram especialmente para ele, um projeto da arquiteta Aline Elvas Castelo Branco.
Por sua grande capacidade de trabalho, às suas funções de pároco de Fátima passaram a se somar outras, eclesiais e sociais, em nível arquidiocesano, tendo sido nomeado Vice-Presidente da ASA em 1986, função na qual permaneceu até 1996, quando foi escolhido, em assembléia, para exercer a sua Presidência. Seu mandato foi renovado até o ano de 2006.
Em 1990, 15 de abril, o então Arcebispo D. Miguel Fenelon Câmara Filho, criou dois Vicariatos: o Vicariato Episcopal para Movimentos e Associações Pias, coordenado pelo Pe. Raimundo José Ayremoraes Soares; e o das Comunicações e Ação Social, confiado ao Pe. Tony Batista. Até hoje ele permanece como Vigário Episcopal para essas áreas e coordena o desenvolvimento de inúmeros projetos sociais e de comunicação, tendo como destinatários os mais empobrecidos.
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As únicas peças encontradas na Paróquia na época da posse |
Ao jeito de ser do Pe. Tony, ninguém fica indiferente. Considerado por uns como “um padre de vanguarda”, por outros como “um padre que gosta de aparecer”, os seus paroquianos e também os que o conhecem mais de perto, sabem que ele é um pastor dedicado à sua missão. Sabem, porque acompanham todo o seu trabalho, que é desenvolvido com zelo e firmeza, procurando estar próximo aos seus fiéis, como orientador espiritual e como irmão, amigo e conselheiro. Está sempre pronto a orientar e a apoiar com paciência os que o procuram, dando força aos leigos no trabalho pastoral e encontrando tempo e disposição para estar sempre presente nas atividades que coordena na Paróquia, na ASA e nos Vicariatos.
Para os que ainda não o conhecem um pouco melhor, talvez uma definição do Pe. Tony, por ele próprio, possa esboçar um pouco de seu perfil:
“...como sacerdote, tenho uma vida que, aos olhos do mundo, é contraditória: oriento, conforto, consolo, animo e, ao mesmo tempo preciso de tudo isso! Estou sempre na festa, no velório, no sorriso e na lágrima abundante e, ao mesmo tempo, estou só, mesmo com todos... Todos conhecem os meus defeitos, minhas fraquezas e, mesmo assim, muitos procuram apoio nos meus ombros. Às vezes minha maneira de ser entra em choque com a maneira de pensar de muitos. É o padre, como outros padres. Homem como outros e, ao mesmo tempo, tão diferente!”.