TERESINA E A FÉ DE SEU POVO
Tudo começou com a escolha do local para edificar uma nova capital para o Estado do Piauí.
Construída para sediar a nova Capital do Piauí, Teresina já nasceu sob as graças de Maria, a Mãe de Jesus, N. Senhora do Amparo.
Em meados do século XIX, quando José Antônio Saraiva, o presidente da Província, retomou essa idéia esboçada desde o final do século XVIII. O argumento maior era o de que Oeiras, a antiga Capital, estava isolada num lugar de difícil acesso e comunicação. Era necessário transferir a capital piauiense para um lugar que proporcionasse maior dinamismo e progresso à Província.
Definida a localização da nova capital à margem do rio Parnaíba, a Vila do Poti, por ser um dinâmico entreposto comercial, foi escolhida como o lugar ideal para abrigar a cidade que iria surgir. Porém, a Vila sofria com as enchentes que aconteciam periodicamente pelo transbordamento dos rios Parnaíba e Poti. A solução foi construir uma nova Vila numa área mais elevada, na fazenda Chapada do Corisco. Nesse local, alguns moradores da Vila do Poti, acompanhados do seu pároco, o Pe. Mamede Antônio Lima, fincaram uma cruz de madeira e iniciaram a construção de uma capelinha, em homenagem a Nossa Senhora do Amparo, onde foi celebrada a primeira missa, no Natal de 1850. Estava iniciada a construção da Vila Nova do Poti, a futura cidade de Teresina.
Escolhida como marco inicial para a construção da cidade, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo tornou-se um monumento cívico-religioso: o “marco zero” e, por assim dizer, a “mãe de Teresina”, significados assumidos por nome igreja matriz.
E dessa forma, enquanto o Padre Mamede com o apoio da comunidade do Poti, cuidava de conseguir ajuda para a construção do templo, o Dr. José Antônio Saraiva tomava medidas políticas e administrativas para a construção e edificação da nova cidade, bem como para a transferência da Capital de Oeiras para Teresina. O processo de construção da cidade contou com donativos de particulares e grande parte do trabalho foi realizado por moradores do antigo bairro e pelos escravos vindos das fazendas nacionais, sendo que uns trabalhavam como ajudantes de pedreiro, carpinteiros, entre outros serviços, e um número maior deles eram encarregados, também, do penoso trabalho de extração e carregamento de pedras, barro e madeira para o local das obras. A cidade tornou-se Capital no mês de agosto e sua Igreja Matriz foi sagrada no Natal de 1852.
A inauguração da nova Igreja foi um momento de muita emoção. A imagem de Nossa Senhora do Amparo foi transladada da Igrejinha da então Vila Velha do Poti (atual bairro Poti Velho) para o seu novo templo na Chapada do Corisco, em procissão solene. O cortejo realizou-se com a presença das autoridades seculares e religiosas e o entusiasmo de toda a população. Os potienses, agora tornados teresinenses, usando suas melhores roupas, participaram da solenidade com muita fé e alegria. A festa teve início com a Santa Missa e se prolongou por todo o dia, encerrando-se com um banquete oferecido aos presentes, ao som de música e foguetório.
A segunda igreja construída em Teresina, também foi dedicada a Nossa Senhora, a Mãe das Dores. Concluída em 1867, no limite sul da cidade, ela tornou-se a Catedral da Diocese Teresinense, a partir da criação do Bispado do Piauí, no início do século XX.
Outro grande templo católico, a Igreja de São Benedito, teve sua pedra fundamental lançada em 1874. Essa foi construída, como a do Amparo, com o trabalho exaustivo de escravos e de pessoas livres, no limite leste da cidade, tendo sua conclusão ocorrida em 1886. Suas belas portas foram tombadas pelo patrimônio histórico cultural do Piauí. Um outro processo de tombamento total daqueIe templo encontra-se em andamento.
Na década de 1950, cem anos após a fundação de Teresina, acompanhando mais uma etapa de sua expansão, tem início a fundação de mais uma Igreja, desta vez a de Nossa Senhora de Fátima. Outras se seguiram. E muitas delas dedicadas à mãe de Deus.
Neste trabalho, ao se resgatar a história da Igreja de Fátima, percebe-se que, desde os primeiros tempos, a exemplo do que ocorreu com a criação da Capitania do Piauí, a história da nossa capital se funde com a história da Igreja. Reafirma-se, assim, que Teresina surgiu e continua a crescer emoldurada e abençoada pela Igreja católica e que a história da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e a história do bairro de Fátima fundem-se numa só e rica história.
Cumpre, pois, que os paroquianos de Fátima mantenham viva a fé dos cristãos de outras décadas que, construindo capelinhas com barro e oração, buscavam uma cidade mais justa e solidária com a intercessão da Mãe do Belo Amor, para merecer as bênçãos de seu filho, Jesus Cristo.